<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770</id><updated>2011-07-08T02:57:41.573+01:00</updated><title type='text'>Mais cadê seu Coco?</title><subtitle type='html'>"Refugio-me, aliás, quase sempre nos mesmos livros, no fundo, um número pequeno, o dos livros para mim já comprovados. Talvez não faça parte da minha maneira de ser ler muitas coisas e muito diversas: uma sala de leitura põe-me doente.", Nietzsche</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>127</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1208124855850522910</id><published>2010-05-13T16:58:00.004+01:00</published><updated>2010-05-13T17:09:43.598+01:00</updated><title type='text'>Sonho de Hipnos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não sei se durmo ou se estarei acordado. Mas sinto-me velho. Tenho o bigode despenteado de tanto amimar a almofada e não acho a parte de cima do meu pijama geométrico. De certo que estarei dentro de um sonho. A minha realidade sonhada. Remexo a cabeça e não encontro nenhuma visão do mar. Pois o que significará o mar para mim senão uma onda de força inatingível que me deixa perplexo a cada visão sua. Rendido, ainda tentei apanhar a cabeça que entretanto se desprendeu do meu pescoço e começou a rebolar colina abaixo, até embater contra uma rocha coberta de musgo que me pareceu macia. Lembro-me do campo de tulipas que um dia hei-de visitar. Ao longe, parece um campo de malaguetas com a ponta acesa onde acendo o segundo cigarro do dia. A partitura invisível, em estado selvagem, movimenta-se em torno do meu próprio corpo, composta ora por sopros de árvores, ora por espirros de peixes ao luar. Acredito no Deus que somos todos nós, homens e corvos. Acredito naquilo que vejo e não naquilo que os olhos me dizem. Para quê olhar (pois se tudo é luz-ilusão) quando podemos ter todas as sensações depois de adormecer. Vivo ciente das ciências da natureza. Não distingo cores, formas ou consistências. Tudo consequência das sopas de cavalo cansado que me davam de comer ao pequeno-almoço. Quando comecei a salivar uma cubana de ancas largas caiu desamparada em cima de mim. Não aguentei a pressão. Tudo ficou escuro de repente, pois ela trazia uma saia que lhe chegava aos pés, de tecido grosso alaranjado. Belisco a pele frenética em busca do sentido real das coisas mas ela fica irritada e grita-me que volte a mim. Eu consinto e baixo o pescoço porque a cabeça já era! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1208124855850522910?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1208124855850522910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1208124855850522910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1208124855850522910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1208124855850522910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/05/sonho-de-hipnos.html' title='Sonho de Hipnos'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-6598934450302356186</id><published>2010-04-21T16:06:00.002+01:00</published><updated>2010-05-01T11:43:43.568+01:00</updated><title type='text'>A casa muda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eram cinco naquela casa minúscula, doentiamente claustrofóbica, onde apenas o chão se fazia ouvir rangendo. Um deles estava preso na despensa há mais de cinco anos. Ninguém sabia dela. Mas também ninguém perguntava. “Para quê?”, ruminavam em silêncio, em longos monólogos interiores, que nunca os levavam a lado algum.&lt;br /&gt;Naquele dia, o chefe de família levantou-se mais cedo em relação ao que estava acostumado. Precisava de cortar as unhas antes de sair para o trabalho. “Putas que não páram de crescer” praguejava. Virou-se para o lado e pediu à matriarca para acender a luz porque a lâmpada do candeeiro do seu lado estava fundida há séculos. Notou que estava sozinho e empalideceu. Primeiro de espanto. Depois de medo. Seria um sonho? Veio a dúvida e o patriarca chorou, chorou e chorou...&lt;br /&gt;Não sabia ele que ela estava presa na despensa por opção. Sabia que ninguém se lembraria de procurá-la nas traseiras da casa, ninguém lá ia, muito menos à despensa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma família estranha que só sabia dar silêncio. Em troca, esse silêncio vinha e embatia reflectido no outro lado do espelho, e mais silêncio ainda. Ocasionalmente, a irmã dela largava um ou outro gemido em cantiga, ora quando lavava a loiça, ora quando se deitava à noite para atear fogo à flor. De resto, nem “ui!”.&lt;br /&gt;Os que lá iam achavam aquela convivência disparatada de pessoas disparatadas profundamente aflitiva. Maldita casa sem voz. Lembro-me que aceitei visitá-los para me esquivar ao trabalho da parte da tarde. Mal toquei à campainha, abriram-me logo a porta sem perguntar sequer quem era. E se eu fosse algum louco varrido? E se em vez de mim estivesse à porta um gorila? Ou o meu patrão?&lt;br /&gt;Mas no final daquela tarde, mesmo sem se terem feito ouvir, só posso acreditar que eles adoraram a tarte caramelizada que comprei na pastelaria em frente à minha casa. Moderna.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-6598934450302356186?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/6598934450302356186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=6598934450302356186' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6598934450302356186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6598934450302356186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/04/casa-muda.html' title='A casa muda'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-2712786199165150318</id><published>2010-03-31T18:16:00.000+01:00</published><updated>2010-03-31T18:17:28.811+01:00</updated><title type='text'>Ó diacho!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Então mas conta-me lá, deste com aquilo? O marceneiro já me tinha avisado que era bastante difícil chegar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qu’ideia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ideia? Qual ideia? Talvez não tinhas nada em que pensar e o...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por mim... Duas cabeças nas nuvens! A olharem para baixo. Presas à força pelas suas sombras esquizofrénicas e a menina fascinada a apontar para cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada, esquece. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-2712786199165150318?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/2712786199165150318/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=2712786199165150318' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/2712786199165150318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/2712786199165150318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/o-diacho.html' title='Ó diacho!'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1321507528375760397</id><published>2010-03-22T17:42:00.002Z</published><updated>2010-04-21T16:11:26.408+01:00</updated><title type='text'>Maria</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Da esquerda para a direita: a minha mãe, a minha tia, a minha avó, o meu avô e o meu pai. À frente, as minhas primas que viraram costas no momento do flash. Gosto, especialmente, da pose da minha mãe, o cabelo castanho a roçar-lhe os ombros e as mãos dadas apoiadas na barriga metida num vestido muito largo cor de salmão.&lt;br /&gt;No meio, como já disse, estava a minha avó, com as duas mãos assentes na cintura, impávida e inexpressiva, talvez porque quem tirava a foto era o meu tio Mário. Mas não vou falar nisso. Quero, sim, escrever a minha avó, a sua doçura, a sua disponibilidade, a sua «matrafonice». Chamava-me de velhaca e que delícia era ouvi-la dizer isso, com tanta prontidão, com tanto afinco.&lt;br /&gt;Lembro-me claramente da casa onde morava quando morreu. A porta verde, a maçaneta dourada e uma longa escadaria até lá acima, e o espelho comprido e o bengaleiro. Na cozinha, fascinava-me ver todas aquelas panelas amolgadas, arrumadas umas em cima das outras, num móvel antigo, e imediatamente me vêem à cabeça os estendidos, polvilhados com açúcar e canela, que costumava fazer quando íamos ao Rossio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto de imaginar a minha avó a dar uma tareia ao vizinho com a vassoura. O rapaz pô-la em tribunal, claro, e ela apregoava que se o apanhasse outra vez que lhe dava uma tareia ainda maior. Não vejo os mortos tão claramente como vejo a minha avó e logo me chega ao nariz o cheiro da laca que costumava comprar mais barata na galinha gorda. Todas as manhãs, empestava os cabelos pintados de castanho e o penteado lá se mantinha firme, preparado para o reboliço do seu dia. Já tinha enviuvado quando aprendeu a ler e a escrever, carregando com tanto orgulho o dossier da escola, as canetas azuis e vermelhas, as letras do abecedário que escrevia repetindo.&lt;br /&gt;Houve um dia em que a minha mãe recebeu uma chamada do meu avô. Pela voz parecia bastante assustado. Contou que nessa noite a minha avó tinha saído de casa, em camisa de dormir. Com a idade, a minha avó dera em sonâmbula e isso faz-me crer que o sonambulismo é, de alguma maneira, genético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou sim? Fala da farmácia? – perguntaram do outro lado da linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não. A senhora deve ter-se enganado no número – respondeu a minha avó, desligando o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o telefone tocou outra vez)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou? Fala da farmácia? – perguntaram de novo, ao que a minha avó respondeu: - Não, minha senhora, isto aqui não é nenhuma farmácia, mas o que não falta aqui são remédios – e desligou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1321507528375760397?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1321507528375760397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1321507528375760397' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1321507528375760397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1321507528375760397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/maria.html' title='Maria'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1586004218289121225</id><published>2010-03-22T16:33:00.001Z</published><updated>2010-03-22T16:33:12.864Z</updated><title type='text'>sagrado</title><content type='html'>Acredito francamente,&lt;br /&gt;Devotamente até, no «sagrado pintor»&lt;br /&gt;No santo, no sacro, no sacrossanto, &lt;br /&gt;Se por sagrado se entender o amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque isso de cobrar favores,&lt;br /&gt;Ao pobre, ao analfabeto, ao cantador,&lt;br /&gt;(som dos tambores)&lt;br /&gt;Não tem em si qualquer valor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, bem lá no fundo,&lt;br /&gt;De nada vale o espanto do orador&lt;br /&gt;Que uma vez é atraiçoado, outra é o traidor&lt;br /&gt;E a dor é tanta&lt;br /&gt;E o sofrimento é tanto&lt;br /&gt;Oh! se tanto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1586004218289121225?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1586004218289121225/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1586004218289121225' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1586004218289121225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1586004218289121225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/sagrado.html' title='sagrado'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1131623771970016695</id><published>2010-03-22T15:56:00.005Z</published><updated>2010-03-25T13:20:17.740Z</updated><title type='text'>a primavera que entoou no seu regaço</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6eT2irlyvI/AAAAAAAAAEY/Z-KE1O24R2k/s1600-h/cocksuckerblues+david.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5451488439187131122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 283px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6eT2irlyvI/AAAAAAAAAEY/Z-KE1O24R2k/s400/cocksuckerblues+david.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O amante de segunda colou-se à página do livro e manchou as palavras de Dali, «do método que o ultrapassava então», quando Helena pulou da cama para dar um risco de coca à janela, em bicos de pés, encarrapitando-se no parapeito ascendente da vida. Aspirava com o olhar o voo das aves marítimas e voava ao seu lado sem roupas e os globos oculares gotejavam tal era a pressão do ar; pusera-se nevoeiro e de repente perdeu-as de vista e caiu amortecida pelo peso do seu regaço, das suas coxas, dos seus braços, do seu ventre.&lt;br /&gt;Pôs o livro de parte, provavelmente na gaveta da mesa-de-cabeceira, junto aos tampões amorfos para os ouvidos, e pensava como era bom lambuzar-lhe o comprimento, as veias, as protuberâncias laterais, com a mesma voracidade com que uma criança chupa um calipo num fim de tarde escaldante.&lt;br /&gt;Helena estava deitada com uma serpente que além de lhe ter dilatado as pupilas, fê-la atirar a realidade para trás das costas e levantar voo, concentrando-se no mistério genital inflamado, nas pequenas gotas que se transformaram numa capa húmida. Brincava com a parte inferior do objecto fálico, andava à roda com ele, apressava-o ou então incentivava-o a passear pela púbis, arbúscula de pêlo. Os grandes lábios, reflectidos no espelho, adensavam e projectavam-se para fora, como a boca faminta de um peixe do rio; e a fenda delicada expandiu-se em flor, flexível à grossura do objecto vibrante.&lt;br /&gt;Toda aquela agitação fez os pés da cama ranger, mas só ela pareceu não ouvir o ruído no momento em que a sua vagina sofreu uma contracção mais forte e se agarrou ao pénis falso, como fazem as raízes em terreno fértil. Desta vez, preferiu não proferir palavras ordinárias, não gemer, não gritar. Deixou que o prazer viesse ao seu encontro. Esticou-se na cama, com um dos joelhos dobrados e o braço esquerdo debaixo da almofada e, ao olhar-se ao espelho, viu a silhueta de uma mulher-estátua envolvida em pó de gesso.&lt;br /&gt;O que mais lhe dava gozo depois de atingir um orgasmo era ver o corpo desintumescer, a sensação de alívio que dava o mote a longos monólogos interiores, nos quais se juntavam o pai, os irmãos e o avô numa zaragata tão grande que logo fugia para o deserto, enterrando os braços e as pernas na areia quente, tornando-se enfim uma miragem.&lt;br /&gt;Apanhou o livro do chão e esticou um risco veloz na página manchada que citava: &lt;em&gt;Um dia, esvaziei completamente o interior de um bocado de pão, e que pensam que coloquei no seu interior? Um pequeno Buda de bronze, cuja superfície metálica enchi de pulgas mortas. Depois, fechei a abertura do pão com um pau, cimentei tudo... de modo a formar um todo homogéneo, como se fosse uma pequena urna, no cimo da qual escrevi: Compota de cavalo. O que significava isso?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desenho do David (&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/davidantunes/"&gt;http://www.flickr.com/photos/davidantunes/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1131623771970016695?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1131623771970016695/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1131623771970016695' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1131623771970016695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1131623771970016695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/primavera-que-se-entoou-no-seu-regaco.html' title='a primavera que entoou no seu regaço'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6eT2irlyvI/AAAAAAAAAEY/Z-KE1O24R2k/s72-c/cocksuckerblues+david.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3701112513112137371</id><published>2010-03-21T15:19:00.003Z</published><updated>2010-03-22T00:02:49.192Z</updated><title type='text'>Tarde de Verão</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6Y6Ti3CzqI/AAAAAAAAAEQ/xlicDyz8A90/s1600-h/abobora+boneca.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5451108506428165794" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6Y6Ti3CzqI/AAAAAAAAAEQ/xlicDyz8A90/s400/abobora+boneca.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Amadas as belas loucas tardes de Domingo&lt;br /&gt;Que passo com ela no cúbico&lt;br /&gt;É linda ela!&lt;br /&gt;E gosto de como a luz não entra&lt;br /&gt;E de como a escuridão não sai&lt;br /&gt;Improviso algumas piadas que a façam rir&lt;br /&gt;Pois gosto que ela sorria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bela é a tarde de Verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gordo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3701112513112137371?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3701112513112137371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3701112513112137371' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3701112513112137371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3701112513112137371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/tarde-de-verao.html' title='Tarde de Verão'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6Y6Ti3CzqI/AAAAAAAAAEQ/xlicDyz8A90/s72-c/abobora+boneca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-5395268951979606780</id><published>2010-03-21T13:58:00.002Z</published><updated>2010-03-21T14:01:58.250Z</updated><title type='text'>Caetano (exercício)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6YmaOH8K6I/AAAAAAAAAEI/X3VzrapLdGM/s1600-h/desenho+tagads.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5451086630888418210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 315px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6YmaOH8K6I/AAAAAAAAAEI/X3VzrapLdGM/s400/desenho+tagads.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mulher de pele escura atravessou-se à sua frente, exibindo um colorido turbante no cima da cabeça. Sentiu o seu aroma e desejou possuí-la, ali mesmo, no largo do Chiado. Decerto que os transeuntes não se importariam de ver os seus corpos cantar o fado ao amanhecer. Caetano andava sempre com o cabelo arranjadinho, as unhas castanhas do surro, o fecho das calças aberto e dele uma pila a apanhar ar fresco. Adorava vê-las passear e imaginar-lhes a cona. Camões não o recriminaria, era o seu fiel companheiro, estava ali para apoiá-lo nas horas do vinho. Além disso, a seu ver, todas eram esbeltas, fossem gordas, anafadas, magras, esqueléticas. Em todas era capaz de enfiar o seu besugo e desejava-o tanto, ansiava-o tanto... Mas coitado do Caetano... morreu virgem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenho do Tagas "Agarra-me"&lt;br /&gt;(&lt;a href="http://palaciodeossos.blogspot.com/"&gt;http://palaciodeossos.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-5395268951979606780?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/5395268951979606780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=5395268951979606780' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5395268951979606780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5395268951979606780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/caetano-exercicio_21.html' title='Caetano (exercício)'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6YmaOH8K6I/AAAAAAAAAEI/X3VzrapLdGM/s72-c/desenho+tagads.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-4374408339804581587</id><published>2010-03-19T14:42:00.002Z</published><updated>2010-03-19T14:44:15.967Z</updated><title type='text'>A carta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Como todos sabem NÃO GOSTO QUE ME INTERROMPAM durante um discurso que considero ser eloquente... Quando me enervo não consigo impedir que os meus sentimentos fiquem completamente a nu, passando desta forma a pertencer ao domínio público. E isso dos outros de fora conhecerem-me por dentro é para mim tão tenebroso que só de pensar nisso suo abundantemente das mãos, criando enormes poças de suor à minha volta.&lt;br /&gt;Sendo uma mulher celibatária e tendo criado intencionalmente raízes numa solidão desmedida, espero que aqueles com quem me cruzo não me dirijam a palavra. Fico apavorada só de pensar nos transeuntes que ostentam um ponto preto no rosto como se fossem balões presos por corpos magros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Teresa&lt;/em&gt;»&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4374408339804581587?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4374408339804581587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4374408339804581587' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4374408339804581587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4374408339804581587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/carta.html' title='A carta'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-4306379736281545942</id><published>2010-03-19T14:39:00.000Z</published><updated>2010-03-19T14:41:05.620Z</updated><title type='text'>sem tónica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;David observava atento o piano de cauda longa, os cortinados floridos, a vasta colecção literária na estante junto ao sofá. Mas foi o quadro, no qual duas mulheres-cavalo choravam desconsoladas a morte do filho-potro, personificada por um leito castanho suspenso no ar, que lhe captou a atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Comprei-o numa loja de antiguidades em Barcelona. Gostas? – perguntou o maestro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É invasivo. É quase doloroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre que olho para ele dá-me vontade de rir. As criaturas com longos bustos e pernas musculadas. Queres beber alguma coisa, antes de subirmos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aceito um gin, com gelo e limão. Sem tónica.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4306379736281545942?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4306379736281545942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4306379736281545942' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4306379736281545942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4306379736281545942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/sem-tonica.html' title='sem tónica'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-6090111196952533779</id><published>2010-03-19T13:58:00.005Z</published><updated>2010-03-20T18:42:39.305Z</updated><title type='text'>Reflexões sobre a moral enquanto preconceito - Friedrich Nietzsche</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«A minha tarefa de preparar à humanidade um instante da mais elevada auto-reflexão, um grande &lt;em&gt;meio-dia&lt;/em&gt; em que ela possa olhar para trás e para muito além de si, em que se subtraia à dominação do acaso e dos sacerdotes, e em que ponha pela primeira vez, &lt;em&gt;como totalidade&lt;/em&gt;, a questão do «porquê?» e do «para quê?» - semelhante tarefa segue-se necessariamente do discernimento de que a humanidade não está no seu recto caminho, de que não é regida pela divindade, de que, pelo contrário, sob os seus mais santos conceitos de valor, imperou sedutoramente o instinto da negação, da perversão, o instindo da décadence. A questão da origem dos valores morais é, portanto, para mim uma questão de &lt;em&gt;primeira importância&lt;/em&gt;, porque condiciona o futuro da humanidade. A exigência de que se deve &lt;em&gt;acreditar&lt;/em&gt; que tudo, no fundo, se encontra nas melhores mãos, que um livro, a Bíblia, proporciona um definitivo apaziguamento sobre o governo divino e a sabedoria no destino da humanidade, é, reconvertida para a realidade, a vontade de não deixar surgir a verdade sobre o seu lastimoso contrário, a saber, que a humanidade esteve até agora nas &lt;em&gt;piores mãos&lt;/em&gt;, que ela foi governada por depravados, por sedentos de astuciosa vingança, pelos chamados «santos», esse caluniadores do mundo, que desonram a humanidade. (...) Quando, no interior do organismo, o mais modesto órgão deixa de impor com plena segurança a sua auto-conservação, a sua reserva de energia, o seu «egoísmo», o todo degenera. O filósofo exige a &lt;em&gt;ablação&lt;/em&gt; da parte degenerada, nega toda a solidariedade com o elemento degenerado, está bem longe dele ter compaixão. Mas o sacerdote &lt;em&gt;quer&lt;/em&gt; justamente a degeneração do todo, da humanidade: por isso, &lt;em&gt;conserva&lt;/em&gt; o degenerado - é a este preço que ele a domina... Que sentido têm estas noções enganadoras, os conceitos &lt;em&gt;auxiliares&lt;/em&gt; de moral, «alma», «espírito», «vontade livre», «Deus», senão o de arruinarem fisiologicamente a humanidade?...»&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Friedrich Nietzsche, &lt;em&gt;in&lt;/em&gt; "Ecce Hommo", páginas 70 e 71&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-6090111196952533779?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/6090111196952533779/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=6090111196952533779' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6090111196952533779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6090111196952533779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/reflexoes-sobre-moral-enquanto.html' title='Reflexões sobre a moral enquanto preconceito - Friedrich Nietzsche'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3355674132081849050</id><published>2010-03-18T17:08:00.005Z</published><updated>2010-03-22T20:05:06.983Z</updated><title type='text'>Ai cobras que lá foi ele</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6JvmbAXYzI/AAAAAAAAAD4/zEYIioo_Ytw/s1600-h/desenho+david.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450041204946723634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 286px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6JvmbAXYzI/AAAAAAAAAD4/zEYIioo_Ytw/s400/desenho+david.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6Jt1fDhvuI/AAAAAAAAADo/zi4elkE_-Qc/s1600-h/desenho+david.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Era uma tarde de Fevereiro&lt;br /&gt;Sem açucar no açucareiro&lt;br /&gt;Pescavam tantas toneladas de arreiro&lt;br /&gt;Chiça! Que mau cheiro alcoviteiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suplicou ao santo padroeiro&lt;br /&gt;Para que a chuva não trouxesse o nateiro&lt;br /&gt;E não lhe afogasse o pobre do carneiro&lt;br /&gt;Que pasta livre as relvas do carreiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o santo padroeiro&lt;br /&gt;arrieiro arteiro&lt;br /&gt;ignorava-o de modo grosseiro&lt;br /&gt;Pois era filho de terceiro&lt;br /&gt;Pobre inútil, tornado rafeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o homem dizia: «sou filho de um vendedor careiro,&lt;br /&gt;Que trabalhava aos sábados no Barreiro,&lt;br /&gt;Dando milho à boca do touro vareiro&lt;br /&gt;E chuto tão pouco dinheiro&lt;br /&gt;Por isso assassinei meu irmão, o herdeiro&lt;br /&gt;Não me lembro se com uma faca ou um tiro certeiro&lt;br /&gt;E ao querer fazer de mim guerreiro&lt;br /&gt;Tornei-me de mim prisineiro&lt;br /&gt;Só me resta pegar no isqueiro,&lt;br /&gt;Algures no bolso, solteiro&lt;br /&gt;E com um toque gesticular ligeiro&lt;br /&gt;Acender o cigarro de um marinheiro&lt;br /&gt;Que um dia me disse «sê verdadeiro»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desenho do dido (&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/davidantunes/page2/"&gt;http://www.flickr.com/photos/davidantunes/page2/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3355674132081849050?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3355674132081849050/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3355674132081849050' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3355674132081849050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3355674132081849050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/ai-cobras-que-la-foi-ele.html' title='Ai cobras que lá foi ele'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S6JvmbAXYzI/AAAAAAAAAD4/zEYIioo_Ytw/s72-c/desenho+david.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-4383585393684263090</id><published>2010-03-16T12:38:00.004Z</published><updated>2010-03-18T14:34:26.865Z</updated><title type='text'>Ouvidos de Burro</title><content type='html'>No meu mundo sedentário&lt;br /&gt;Pregam espinhas aos peixes&lt;br /&gt;Regem uma vida de cão&lt;br /&gt;Dão asas a desleixes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu mundo sedentário&lt;br /&gt;Convertem lesmas em ouvidos de burro&lt;br /&gt;E advogam que o pão chega para todos&lt;br /&gt;E que o calvário não chega ao curro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu mundo sedentário&lt;br /&gt;Cochicham os pés do vizinho&lt;br /&gt;E o corpo agrário&lt;br /&gt;E a saia afoita do rapazinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mundo sedentário&lt;br /&gt;Divago em terceira classe&lt;br /&gt;Sem cama, nem armário&lt;br /&gt;Seria louca se o ocultasse&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4383585393684263090?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4383585393684263090/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4383585393684263090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4383585393684263090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4383585393684263090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/ouvidos-de-burro.html' title='Ouvidos de Burro'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-7210703667303439037</id><published>2010-03-16T11:41:00.005Z</published><updated>2010-03-16T11:52:45.037Z</updated><title type='text'>Os Filhos Rebeldes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Se alguém tiver um filho desobediente e rebelde, que não faz caso daquilo que o pai e a mãe lhe dizem e, mesmo quando o castigam, continua a não fazer caso, os pais devem levá-lo à presença dos anciãos daquela cidade, para lhes dizerem: "Este nosso filho é desobediente e rebelde e não faz caso das nossas ordens. Só quer comer e beber." Ele será então condenado à morte e apedrejado pelos habitantes daquela cidade. Dessa forma, acabas com aquele escândalo do meio do teu povo. Todo o povo ouvirá contar isso e ficará cheio de medo."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passagem da Bíblia (Livro do Deuterónimo, capítulos 21 e 22, do versículo 18 ao 21)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-7210703667303439037?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/7210703667303439037/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=7210703667303439037' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7210703667303439037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7210703667303439037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/os-filhos-rebeldes.html' title='Os Filhos Rebeldes'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3463617835275140572</id><published>2010-03-15T20:48:00.001Z</published><updated>2010-03-15T20:50:52.529Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Separar verdade e mentira é ficção?&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É uma contraposição irreal. A verdade não existe. Inclusive a noção de quem somos - não que seja mentira no sentido de falsidade - é a soma de lendas, contos e das nossas respostas aos contos que, por sua vez, também são um conto...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E há a memória, outra mentira...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até há poucos anos era fonte de especulação literária e filosófica, mas hoje é uma verdade científica: para o cérebro é o mesmo uma coisa recordada e uma coisa inventada. Em muitos casos, quase tudo o que é recordado é, senão uma invenção, pelo menos uma reinterpretação de uma recordação. Provavelmente a literatura existe por estarmos sempre a reinterpretar memórias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Excerto de uma entrevista a Enrique de Hériz, autor do livro "Mentira" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(&lt;a href="http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=636873"&gt;http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=636873&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3463617835275140572?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3463617835275140572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3463617835275140572' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3463617835275140572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3463617835275140572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/separar-verdade-e-mentira-e-ficcao-e.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3953510438661077021</id><published>2010-03-15T13:35:00.006Z</published><updated>2010-03-18T14:59:00.849Z</updated><title type='text'>O Abraço da Ursa Húngara</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«A missa deve estar quase a começar», disse com a voz ainda oscilante. Pegou num lenço de renda preto, cobriu o cabelo e o pescoço e saiu de casa. De facto, o olhar terno e imaculado de Alenka parecia carregar consigo a ideia de um túmulo capaz de guardar os segredos mais íntimos. E ele sabia-o.&lt;br /&gt;            Ia tocar à campainha quando reparou que a porta estava entreaberta. «Estás aí? Posso entrar?», sussurrou. «Entra, estou no quarto», respondeu Alenka. Encontrou-a deitada no tapete de pêlo cinzelado, contorcendo o seu corpo franzino, como se o diabo tomasse as rédeas do seu corpo.&lt;br /&gt;            Gabor estava ainda de pé, com as calças caídas, quando Alenka lhe engoliu o tronco do pénis, simulando uma penetração comum. Lambia-o para cima e para baixo com a ponta da língua e beijava-lhe a cabeça de frade, imprimindo uma ligeira pressão com os dentes. Subitamente, Alenka abocanhou-lhe a bolsa do escroto, sugando os testículos alternadamente. As ondas eléctricas de prazer que se dispersavam, como faíscas, pelos pontos erógenos do corpo de Gabor incitaram-no a empurrar Alenka para trás e a sentar-se na borda da cama. Por pouco que não se veio. Chamou-a novamente. Acima de tudo, desejava possui-la, aconchegá-la e assim Alenka poisou as bochechas do rabo no seu colo, sentindo finalmente o pénis duro como o tronco de uma árvore beijar-lhe os lábios e trepar-lhe a vulva. Enlaçou as pernas franzinas à sua cintura, chegando-se a ele o mais possível de forma a tornar a cópula mais intensa. O abraço era activo, suplicava posse, e ela provocava-o, movendo os quadris com brutidão. Os olhos verde-água de Alenka estavam fechados, dando asas à imaginação das mãos que acariciavam aquele corpo macio, «cheio de graça». Os seus sexos pareciam soluçar, deitando lágrimas de prazer. Pareciam envoltos num duelo recíproco, ele puxando-lhe o cabelo âmbar que, como uma cortina, encobria as auréolas róseas dos seus seios, ela arranhando-lhe as costas largas e transpiradas. O tacto molhado das línguas e dos dentes parecia instigar um braço de ferro cada vez mais inquietante e os corpos fundiam-se numa espiral de sensações erógenas, rendidos à fluidez do outro, sentados no silêncio que ecoava pela casa. A temperatura subia e num impulso, o clímax estalou em infinitas pepitas de ouro. &lt;br /&gt;            Enquanto caminhava para a Igreja, começou a sentir o esperma escorrer-lhe lânguido pelas pernas. Dois miúdos que passavam com a mochila às costas cochicharam alguma coisa ao ouvido e desataram-se a rir. «Será que tenho a saia molhada?», questionou-se Alenka, atraiçoada pelo carmim das bochechas. Apesar do constrangimento, orgulhava-se daquela sensação de transgressão, de ousadia, de individualidade, sobretudo. Sentou-se no banco da frente, virado para o altar-mor, inclinou a cabeça e ajoelhou-se perante Deus. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3953510438661077021?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3953510438661077021/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3953510438661077021' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3953510438661077021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3953510438661077021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/o-abraco-da-ursa-hungara.html' title='O Abraço da Ursa Húngara'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3318551626393629323</id><published>2010-03-13T19:22:00.003Z</published><updated>2010-03-19T14:18:44.192Z</updated><title type='text'>O Escultor Argentino</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há já uma semana que não parava de chover na região de Los Andes. Os lagos e rios transbordavam o leito e isso inspirava-o quando se masturbava à janela do primeiro andar que alugava a um senhor de cabelos grisalhos, reformado dos cadernos da poesia, sempre bem acompanhado por uma bengala e um charuto pendurado no canto direito da boca.&lt;br /&gt;Era uma casa discreta, simples, situada na parte norte da cidade de Chapelco. Orgulhava-se de precisar apenas de um colchão para dormir e de pratos e talheres para comer. Desprezava ostentações inúteis, como os tapetes ou os cortinados que dizia serem um capricho dos homens. Aimón admirava, sobretudo, a simplicidade da casa, a sua alvura, a luz da manhã que penetrava pela janela despida que dava para uma pequena praceta.&lt;br /&gt;Era um homem solitário que raramente se entregava à volúpia e às tentações da carne. Amava as artes, particularmente a escultura que lhe transmitia sensações díspares de espiritualidade, alegria, dor e tesão. Mas sempre que, a caminho do trabalho, passava por aquela casa azul não resistia a dar uma espreitadela receosa, imaginando por instantes fazer daquele mundo clandestino, como se uma daquelas sombras voluptuosas fosse a sua própria sombra.&lt;br /&gt;O escultor, como era conhecido na cidade, comia à pressa uma carbonada quando ela entrou de rompante, sacudindo o casaco ensopado, depois de pousar o chapéu-de-chuva ao lado da porta empenada. Atravessou o tasco em direcção à casa de banho e saiu tão rápido como entrou. O choque de Aimón foi instantâneo, quase voraz, ao ver entrar aquela mulher mestiça, vestida de vermelho, o cabelo entrançado a beijar-lhe o ombro. Sentiu-se inquieto e desnorteado, como se o seu peito tivesse entrado numa angulosa espiral de pressão que lhe espevitou o pau de fumo. Pensou se se atreveria a segui-la, se teria coragem. «Não», pensou de instinto mas logo foi impulsionado por uma vaga de sensações que o fizeram levantar-se da cadeira e deixar a carbonada ainda morna no prato de barro.&lt;br /&gt;Ansiava saber quem era aquela mulher de pele cor de café, o que fazia e para onde iria com tanta pressa. E lá foi ele, de peito erguido, com ar sobranceiro, às vezes vacilante. Por sua vez, ela abanava as ancas prometedoramente, evidenciadas pelo vestido de malha fina que se colava à sua pele, como um filho se agarra à saia da mãe. Os peitos estavam gordos e avolumados, como dois globos que indicam o caminho para Sicília. Tinha os tornozelos inchados e a barriga era proeminente, altiva, dominante. «Deve estar no sexto mês de gestação», pensou o escultor.&lt;br /&gt;Mas, a dada altura, Aimón interrompeu o passo. Estagnou ao ver a mulher de vermelho entrar na casa azul, a famosa Casa de las Putas situada parte rica da cidade. Nem queria acreditar. Questionava-se se seria o destino ou mero acaso. Depois de alguma hesitação decidiu entrar. A atmosfera exalava fumo pelas orelhas, o ambiente estava quente, a decoração fantasiosa e albergava camas que se perdiam de vista. Pediu para falar com a mulher que acabara de entrar à madame vestida com uma camisa de dormir azul translúcido, com duas mangas borboleta. A boquilha era longa, demasiado longa até, visto que a ponta do cigarro quase lhe osculava o nariz. Sem pronunciar uma palavra, a madame apontou indiferente para uma pequena divisória, deixando cair as beiças num copo largo de mojito. Aproximou-se e viu a sombra da mestiça passear-se pela parede e a acomodar-se num cadeirão de pele preta. Tinha agora o cabelo solto, crispado e negro como o carvão.&lt;br /&gt;Debruçada em frente ao espelho, com uma das pernas apoiadas no braço do sofá, convidava à entrada. Apertava incessantemente os bicos de Vénus contra o outro enquanto friccionava com os dedos o alagadiço buraco da coruja. Acariciava a barriga saliente e fazia expressões libidinosas e ele, escondido na penumbra da porta, deixou escapar um gemido arquejante que ecoou pela casa. Levou de imediato a mão à boca mas era tarde demais.&lt;br /&gt;«Podes entrar, se quiseres, e olhar para mim. Gosto de ter público e já vi que gostas de barrigas grandes». Aimón aproximou-se, comprometido pelo volume da bengala dobrada dentro das calças, e sentou-se à beirinha da cama. Admirava cauteloso a amazónia riça da sua púbis, os lábios anafados que protegiam o seu delicioso banco de esperma. Estava molhada e contorcia-se morosamente, dado o peso do ventre gigante. Veio-se, enfim, com um grito profundo e a tromba de elefante de Aimón cabriolou ao ver a fenda babar-se de prazer.&lt;br /&gt;O corpo estava agora mais saciado. Faltava apenas acender um cigarro para que o sentimento de descontracção atingisse a sua plenitude. Mas logo notou que estava sozinha. Aimón tinha abandonado sorrateiramente o quarto e saído pelas traseiras da casa, com o zezinho molhado entre as pernas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3318551626393629323?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3318551626393629323/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3318551626393629323' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3318551626393629323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3318551626393629323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/o-escultor-argentino.html' title='O Escultor Argentino'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3315169956310671580</id><published>2010-03-13T14:17:00.003Z</published><updated>2010-03-13T14:22:55.520Z</updated><title type='text'>O Pantanal</title><content type='html'>Abri as pernas em brasa.&lt;br /&gt;Vi-me camuflada. Volvi.&lt;br /&gt;Numa farda engomada&lt;br /&gt;Que me obrigaram a vestir&lt;br /&gt;E consenti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aberto movimento sensual&lt;br /&gt;Clítoris-flor trabalhado&lt;br /&gt;Circular anal,&lt;br /&gt;Pelo pau abençoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a púbis vermelha da fricção&lt;br /&gt;Tal era sôfrego o órgão animal&lt;br /&gt;Tão bruta, violenta sensação&lt;br /&gt;Sexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o cheiro côncavo floral&lt;br /&gt;Expelido da penetração lamaçal&lt;br /&gt;Nele vi-me, canibal&lt;br /&gt;Com a cara pisada, excessivo carnal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3315169956310671580?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3315169956310671580/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3315169956310671580' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3315169956310671580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3315169956310671580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/o-pantanal.html' title='O Pantanal'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1649428372201693058</id><published>2010-03-13T13:49:00.002Z</published><updated>2010-03-18T18:10:42.420Z</updated><title type='text'>Gavetas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se fosse fácil escrever os sentimentos que por vezes nos fazem ajoelhar, que nos fazem crer na nossa pequeneza então não estaria há mais de um ano a tentar escrever esta carta. Mas ainda acredito  &lt;em&gt;na constelação mais bela e harmoniosa Universo&lt;/em&gt; e desta também faço a minha única certeza. Porque nada desaparece, é apenas comutado, substituído. Crescem árvores novas, mas as que morreram continuam vivas se continuarmos a pensar nelas.&lt;br /&gt;Ao fim de tantos anos, o espaço íntimo sublevou-se, individualizou-se, afastando consigo as possíveis errâncias que o destino cruel teima em invocar. Por conseguinte, a separação tornou-se inevitável, à luz de parêntesis obscuros, que nos fazem optar por caminhos diferentes; e nada é durável, tudo muda, &lt;em&gt;tudo é foi, nada acontece&lt;/em&gt;, escreveu o escritor; a girafa está em chamas, assustada. «Permitirei o incêndio das chamas refulgentes no meu corpo? Ou estarei queimada antes mesmo do incêndio deflagrar?»&lt;br /&gt;Daí questionar-me sobre o que é, e não é, definitivo. Quem nos comanda? O que nos garante? O futuro? Sigo em frente, meio absorta, atribulada, tropeçando aqui e ali, deixando cair cortinados alheios. Contudo, num instante sombrio, penso e olho para as minhas entranhas, revolto-me contra mim e pontapeio o meu estômago vazio. O passado atordoa-me, enjoa-me pensar que a compreensão ficou algures lá para trás. Nunca me apontou um dedo. Não havia queixas, reclamações, exigências, lamentos. Existia, sim, plena aceitação mútua, tu eras eu e sem resquícios de absorção. Se alguém travava conversa comigo, travava conversa também contigo.&lt;br /&gt;Pergunto-me se de noite choravas. Eu chorei durante meses. Hoje não. Aprendi a aceitar e a compreender, mas o sentimento de angústia, esse carregarei comigo para o resto da vida. No fundo, sou cobarde, débil, irresoluta e vacilante. E pior do que ser cobarde, é sê-lo conscientemente. Talvez a vida nunca tenha feito sentido para ninguém. Por isso escrevo, escrevo muito, escrevo sem pensar no que escrevo, escrevo sem segundas intenções, sem necessidades de rodeios asneados. Não obstante, a essência estará lá, sempre, crescemos, diferenciamo-nos. Creio, talvez erroneamente, que nada mudou, que somos felizes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1649428372201693058?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1649428372201693058/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1649428372201693058' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1649428372201693058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1649428372201693058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/gavetas.html' title='Gavetas'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-4500461486175398621</id><published>2010-03-11T13:20:00.000Z</published><updated>2010-03-11T13:21:17.792Z</updated><title type='text'>As garças</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;   O jardim parecia envolto num nevoeiro húmido que se entranhava perversamente na pele e encobria os passos ociosos de um gato persa de pêlo azul-cobalto. Por momentos, a cauda serpenteante do animal parecia tomar a forma de um pénis astuto, sacudindo lentamente o fumo que cinzelava o rosto das duas amantes.&lt;br /&gt;   Escondido atrás de um biombo de cor acre, desenhado à mão, Kabir sentia uma inebriante sensação de prazer atravessar-lhe o corpo ao mirar as duas mulheres que consumiam ópio numa exuberante chaise-longue verde abacate. Os seus lábios juntavam-se em beijos sôfregos e prolongados. Dera-lhes o nome de Langa e Lien.&lt;br /&gt;   Começava a sentir a libido brotar dentro de si ao ver as pernas de Langa, reveladas por um diáfano quimono de seda pérola, abrirem-se delicadamente como as asas de uma garça, enquanto Lien lhe lambia demoradamente os seios redondos. O jovem mirava atento, acompanhando o movimento da mão que descia pelo ventre liso de Langa, até alcançar o clítoris. E nisto, o samba dos dedos tomou balanço, ora de cima para baixo, ora num movimento circular, apoiando-se sobre a vulva carnuda e humedecida.&lt;br /&gt;   Gradualmente, os néctares vaginais levemente aromatizados a citrinos intensificaram-se, foram pronunciadas palavras de volúpia, os dedos molhados de saliva escorregavam à volta dos mamilos, que respondiam enrijecendo. Um desejo carnal exasperante apoderou-se de Kabir quando Langa começou roçar o curto cabelo âmbar entre as coxas de Lien, arranhando-lhe os lábios e provocando-lhe vagas de prazer até que a tensão rebentou em mil gemidos e suspiros, conduzindo ao cume do prazer.&lt;br /&gt;   Kabir despertou num impulso, asfixiado. Abriu os olhos e viu-se de braços abertos, com os dedos cravados nos lençóis de cetim e as pontas dos pés curvadas. Os testículos elevaram-se, anunciando a eminência do orgasmo e o corpo, atormentado por uma pressão violenta, libertou-se numa explosão íntima de prazer. Lentamente a serenidade impôs-se e os músculos do corpo baixaram a guarda. O alívio era agora pleno.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4500461486175398621?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4500461486175398621/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4500461486175398621' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4500461486175398621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4500461486175398621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/as-garcas.html' title='As garças'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-6580914958031822885</id><published>2010-03-09T18:26:00.001Z</published><updated>2010-03-09T18:28:45.148Z</updated><title type='text'>Arte erótica chinesa</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S5aS9wfBx4I/AAAAAAAAADg/RoiJyer0DJo/s1600-h/arte+er%C3%B3tica+chinesa.BMP"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446702389035911042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 328px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S5aS9wfBx4I/AAAAAAAAADg/RoiJyer0DJo/s400/arte+er%C3%B3tica+chinesa.BMP" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Imagem do site: &lt;a href="http://conversacoesliberadoras.blogspot.com/2009_07_01_archive.html"&gt;http://conversacoesliberadoras.blogspot.com/2009_07_01_archive.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-6580914958031822885?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/6580914958031822885/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=6580914958031822885' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6580914958031822885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6580914958031822885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/arte-erotica-chinesa.html' title='Arte erótica chinesa'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S5aS9wfBx4I/AAAAAAAAADg/RoiJyer0DJo/s72-c/arte+er%C3%B3tica+chinesa.BMP' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-5264891358605377749</id><published>2010-03-09T18:07:00.001Z</published><updated>2010-03-09T18:07:56.827Z</updated><title type='text'>Complexo canibal</title><content type='html'>Aquando o tempo o permitiu,&lt;br /&gt;Regaram com mel, cheiro vício sexual&lt;br /&gt;O clítoris em círculos ainda frio&lt;br /&gt;E os cheiros côncavos, propensão carnal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desce a língua indiscreta abaixo da cintura&lt;br /&gt;Perdendo-se na púbis, pantanal escritura&lt;br /&gt;No final já era só dormência&lt;br /&gt;húmida volúpia labial&lt;br /&gt;anal, trémula consciência&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-5264891358605377749?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/5264891358605377749/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=5264891358605377749' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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vosso santo copulatório,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;venha a nós clítoris o vosso êxtase,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;seja feita a vossa vontade&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;assim no espaço como no tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;A penetração nossa de cada dia nos daí hoje,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;perdoai-nos os órgãos retesados,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;assim como nós perdoamos&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;a quem nos tem pisado os mamilos,&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;e deixai-nos cair em tentação &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;(no inferno na Terra)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Mas livrai-nos do mal.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ámen.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4809187594360346798?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4809187594360346798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4809187594360346798' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4809187594360346798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4809187594360346798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/sexo-nosso_09.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-5403088450734192377</id><published>2010-03-09T16:28:00.001Z</published><updated>2010-03-09T16:28:40.416Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Kublai &lt;/strong&gt;– Tudo é inútil, se o último local de desembarque tiver de ser a cidade infernal, e é lá no fundo que, numa espiral cada vez mais apertada, nos chupar a corrente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E Pólo: &lt;/strong&gt;- O inferno dos vivos não é uma coisa que virá a existir, se houver um, é o que já está aqui, o inferno que habitamos todos os dias, que nós formamos aos estarmos juntos. Há dois modos para não o sofrermos. O primeiro torna-se fácil para muita gente: aceitar o inferno e fazer parte dele a ponto de já não o vermos. O segundo é arriscado e exige uma atenção e uma aprendizagem contínuas: tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e o que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Calvino, &lt;em&gt;in&lt;/em&gt; “As Cidades Invisíveis”, 5ª edição, página 166, Editorial Teorema.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-5403088450734192377?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/5403088450734192377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=5403088450734192377' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5403088450734192377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5403088450734192377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/kublai-tudo-e-inutil-se-o-ultimo-local.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3374008866112192190</id><published>2010-03-09T13:35:00.002Z</published><updated>2010-03-09T13:44:21.100Z</updated><title type='text'>o crime</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;   Ah! Herodes choraria de pena se tivesse escrito a Bíblia e como se comoveram os negreiros que tenham tido a ventura de ler "A Cabana do Pai Tomás! ou os que modernamente virm a versão de celuloide! Sensibiliza-nos mais a ilusão do que a própria realidade! Choca-nos um filme ou um livro sobre a miséria e a fome, que passam indiferentes ao nosso lado. Que verdade há na descrição da morte de um homem soterrado numa mina se não estamos com ele e a sua dor se encontra tão distante? Começo a deitar abaixo as prateleiras cheias de livros e rasgo-os enchendo o quarto de páginas que esvoaçam...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;   - Mentiras! Tudo mentiras! Vendilhões! Comerciantes!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;   Ah! Que sei eu do que escrevo? Falhei! Sonho que agrido o editor e o vendedor de livros com uma pesada encadernação do Gil Blas Santillana que nada vale a não ser a brochura e que os meto à força no meio de uma edição folhetinesca capaz de fazer chorar as pedras. Para conhecerem bem o que editam vão ser comidos pela traça e eu divirto-me a ouvi-los prometer gordas edições ilustradas e o melhor lugar nas prateleiras das livrarias. Depois agarro numa caixa de fósforos decidido a arder em bonzo, quando me surge a ideia. Por que não? Fecho a porta do quarto, desço as escadas a correr e saio para a rua. Pego no meu manuscrito que nunca abandono pondo-o como isca na beira da calçada. Deixo-o aberto e escondo-me no vão da escada. Por Deus! Ah! Que longa espera! Até que ele chega... sim! E como me despreza! Levanta o manuscrito do chão e folheia-o indiferente, atirando-o depois de novo para o solo. Salto do vão da escada e caio-lhe raivoso em cima! Oh!, Céus! Odeio-o! Odeio-o! Sinto a ferida que o aguilhão da indiferença e do desdém me abre na carne e, não podendo mais, deito-lhe a mão ao pescoço e estrangulo-o quando só desejava que ele reparasse em mim!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;   Desço lentamente até ao chão de joelhos e pego fogo à roupa. Ao arder, choro amargamente arrependido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oh! Meu Deus! Que estúpido sou! Agora que matei o leitor que gesto inútil não é suicidar-me?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Miguel Barbosa, &lt;em&gt;in&lt;/em&gt; "Esta Louca Profissão de Escritor", páginas 36 e 37, Colecção Passo a Palavra, Livraria Ler Editora&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3374008866112192190?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3374008866112192190/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3374008866112192190' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3374008866112192190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3374008866112192190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/o-crime.html' title='o crime'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-2759523505665824746</id><published>2010-03-09T01:35:00.004Z</published><updated>2010-03-09T02:00:04.115Z</updated><title type='text'>as cidades contínuas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;«Todos os anos nas minhas viagens paro em Procópia e fico alojado no mesmo quarto da mesma pensão. Desde a primeira vez, detenho-me a contemplar a paisagem que se vê abrindo a cortina da janela: um fosso, uma ponte, um muro, um sorbeira, um campo de milho, uma sebe com amoras, uma capoeira, um cume de colina amarelo, uma nuvem branca, um pedaço de céu azul em forma de trapézio. Tenho a certeza de que da primeira vez não se via ninguém; foi só um ano depois que, a seguir a um movimento por entre as folhas, consegui distinguir uma cara redonda e achatada que roía uma maçaroca. Passado um ano já eram três em cima do muro, e ao meu regresso vi seis, sentados em fila, de mãos nos joelhos e umas sorbas num prato. Todos os anos, assim que entrava no quarto, levantava a cortina e contava mais algumas caras: dezasseis, incluindo os que estavam dentro do fosso; vinte e nove, dos quais oito empoleirados na sorbeira; quarenta e sete sem contar os da capoeira. São parecidos, têm um ar simpático, de borbulhas nas bochechas, sorriem, um ou outro com a boca suja de amoras. Em breve passei a ver toda a ponte cheia de tipos de cara redonda, agachados porque já não tinham sítio para se mexerem; trincavam as maçarocas, e depois roíam os talos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, anos após ano, fui vendo desaparecer o fosso, a árvore, a sebe, ocultos por barreiras de sorrisos tranquilos no meio das bochechas redondas que se movem mastigando folhas. Não se faz ideia, num espaço pequeno como aquele minúsculo milheiral, de quanta gente pode caber, especialmente se estiverem sentados de braços à volta dos joelhos e imóveis. Deve haver muitos mais do que parece: o cume da colina vi-o eu cobrir-se de uma multidão cada vez maior; mas desde que os da ponte ganharam o hábito de se porem às cavalitas uns dos outros nunca mais consegui ver mais nada para além deles.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este ano, finalmente, ao levantar a cortina, a janela enquadra apenas uma extensão de caras: de um canto ao outro, a todos os níveis e a todas as distâncias, vêem-se estes rostos redondos, quietos, muito achatados, com um esboço de sorriso, e no meio muitas mãos, que se agarram aos ombros dos que estão à frente. Até o céu desapareceu. Mais vale afastar-me da janela...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não por me ser fácil mexer-me. No meu quarto estamos alojados vinte e seis: para deslocar os pés tenho de incomodar os que estão acocorados no chão, abro caminho por entre os joelhos do que estão sentados no baú e os cotovelos dos que estão na vez de se encostarem à cama: tudo pessoas muito simpáticas, felizmente.»&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Italo Calvino, &lt;em&gt;in&lt;/em&gt; "As Cidades Invisíveis", 5ª edição, páginas 148 e 149, Editorial Teorema.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-2759523505665824746?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/2759523505665824746/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=2759523505665824746' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/2759523505665824746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/2759523505665824746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/as-cidades-continuas.html' title='as cidades contínuas'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-5370171591718150764</id><published>2010-03-02T19:40:00.004Z</published><updated>2010-03-02T19:48:58.625Z</updated><title type='text'>O homem sem nome</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje olha para trás e instintivamente abana a cabeça, pensando o quão ignorante foi por nunca ter pensado que a vida nasceu do ventre de uma prostituta. A ele, é escusado dar-lhe um nome. Prefiro mantê-lo no anonimato, escondido atrás de uma árvore ou preso num sótão de alguém que ainda não conheci e que talvez nunca virei a conhecer.&lt;br /&gt;Mas dizia eu que para ele a vida é filha da prostituição, do saque, da amotinação. E não foi à toa que ele chegou a esta conclusão, pois ela era bela, instável e chupadora. Trazia resquícios de vinho nos lábios gretados e quando tossia, tentava inconscientemente expulsar o mal que a impedia de cortar a artéria umbilical. Nunca se soube como se conheceram, nem mesmo eu, mãe literária. Apenas que faziam amor em público, como crianças ousadas que anseiam o doce mel, o mais distante, o impossível e que gemiam e gritavam em praça pública palavras ordinárias que sem querer (e sem dever) feriam a audição beata, animal de hábitos.&lt;br /&gt;Com o passar do tempo, ele transformou-se objecto de falatório público, tema rotineiro de conversa e rapidamente tomou as cores do nada, carente de pele e osso, escravo da transparência. Até ao dia em que ela fugiu, carregando consigo os seus sentidos, sonhos de infância, as virtudes e ócios de uma vida. O calor da vergonha abalou a cidade rubra. Hoje já ninguém fala dele, ficou enterrado no âmago de uma geração que preferiu esquecê-lo, passou de ninguém para ser nada.&lt;br /&gt;Já eu, mãe-criadora, prefiro continuar a escrever sobre ele, mesmo não lhe dando um nome.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-5370171591718150764?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/5370171591718150764/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=5370171591718150764' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5370171591718150764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5370171591718150764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/o-homem-sem-nome.html' title='O homem sem nome'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1996506315192185117</id><published>2010-03-02T19:39:00.002Z</published><updated>2010-03-02T19:39:56.273Z</updated><title type='text'>auto-biografia</title><content type='html'>escrevi uns versos&lt;br /&gt;no outro dia&lt;br /&gt;mas talvez por rebeldia&lt;br /&gt;ou débil anatomia&lt;br /&gt;os versos não rimaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estaria assim tão vazia,&lt;br /&gt;sem ossos e em agonia,&lt;br /&gt;que nem uma simples palavra&lt;br /&gt;do ventre me saia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então de frente para o púlpito implorei:&lt;br /&gt;“devolvam-me a anestesia,&lt;br /&gt;o sexo, a ousadia&lt;br /&gt;pois anseio o dia em que direi:&lt;br /&gt;deitei-me com a poesia&lt;br /&gt;ajoelhada de costas&lt;br /&gt;que nem uma vadia.&lt;br /&gt;aqui tens a minha auto-biografia”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1996506315192185117?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1996506315192185117/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1996506315192185117' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1996506315192185117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1996506315192185117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/auto-biografia.html' title='auto-biografia'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-339607986771907246</id><published>2010-03-02T19:37:00.002Z</published><updated>2010-03-02T20:24:37.915Z</updated><title type='text'>As paredes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi quando o vi sair da cama, envolto pelo odor do seu sexo selvagem, agora mais envergonhado, que me apercebi do quanto preciso dele para me levantar de manhã. Anulo-me à minha nulidade e enquanto o escrevo os dedos tiritam de alegria e os pulmões espreguiçam o ar que dele inspiro. Não intencionalmente (ou o que é costume pensar-se), o clímax invadiu os ouvidos vizinhos, recolhidos atrás das paredes que poderão ser consideradas tudo, menos surdas-mudas. Mas desta vez até elas preferiram cerrar os olhos e os ouvidos, respeitando o gemido, o limar de unhas, a combustão do útero. Porque desta vez o sexo era natural, era preciso, enquanto expressão crua do acto mais belo celebrado entre qualquer espécime humano. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-339607986771907246?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/339607986771907246/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=339607986771907246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/339607986771907246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/339607986771907246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/03/as-paredes.html' title='As paredes'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-5033544350065788104</id><published>2010-02-19T16:46:00.002Z</published><updated>2010-02-22T14:17:40.657Z</updated><title type='text'>alçapão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Naqueles tempos o trilho era apertado até para o corpo mais ágil. Então vieram os alardos apetrechados de tratores de guerra que derrubaram os bastardos escanzelados, de boca seca. Dos areões ouviam-se os urros, os cartuchos, a paisagem fosforescente dos sargaços, tantos bagaços enfim retesados e em plena brenha especiosa o javali amanhado e a moça prenha à luz da sofreguidão. Venham noites de ócio cantar à minha beira. O canto dos mandarins já não é meu e não me ralo com isso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-5033544350065788104?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/5033544350065788104/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=5033544350065788104' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5033544350065788104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5033544350065788104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/02/alcapao.html' title='alçapão'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8203042588424512265</id><published>2010-02-19T15:46:00.002Z</published><updated>2010-02-19T15:48:53.439Z</updated><title type='text'>meu universo Mozart</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A noite abeirou e com ela uma infinidade de estrelas presas ao céu. O palco, a música e os espectadores fundiam-se numa harmonia existencial sublime, capaz de vergar o espírito mais pobre ao entendimento perfeito do ser.&lt;br /&gt;Teresa, com os olhos semi-cerrados, assistiu ao concerto da varanda. Nua e com uma touca verde na cabeça. Quase a entrar num estado permanente de demência, a música do maestro absorveu-lhe as últimas gotas de lucidez e Teresa desembocou no mundo das notas que tocavam no ar. De braços estendidos, como se abraçasse o palco, alcançava a claridade do conhecimento retorcido através da melodia morosa e chorava. Cria que a vida nasce só para alguns; (os outros) ficam esquecidos. Um bando de gaivotas pretas galhofava ruidosamente, antevendo a desgraça que pode irromper a qualquer um, a qualquer momento. Mas Teresa e os espectadores mantiveram-se firmes, absorvidos pelo compasso gradual da música. O sofrimento crescia de tom, os espectadores gemiam e suavam silenciosamente. Teresa não acreditava no que sentia. Estava eufórica com a dor que a consumia por dentro e que finalmente conferia sentido à sua existência. Afinal, como todos os outros, sofria, chorava e gemia. E, pela última vez, declamou bem alto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu universo Mozart&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=8277548280343300770#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;Meu universo Mozart&lt;br /&gt;De onde eu parto&lt;br /&gt;Meu fundo ter de mim&lt;br /&gt;Com seu invento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu fundo me afundar&lt;br /&gt;Com seu palácio&lt;br /&gt;Minha breve loucura&lt;br /&gt;Com seu vento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha música-corpo&lt;br /&gt;Meu orgasmo&lt;br /&gt;Minha fuga meu mundo&lt;br /&gt;Meu sustento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu universo Mozart&lt;br /&gt;Meu retrato&lt;br /&gt;Meu suicídio lento&lt;br /&gt;Muito lento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=8277548280343300770#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Cadernos de Poesia, Maria Teresa Horta, Minha Senhora de mim, Publicações Dom Quixote.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8203042588424512265?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8203042588424512265/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8203042588424512265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8203042588424512265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8203042588424512265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/02/noite-abeirou-e-com-ela-uma-infinidade.html' title='meu universo Mozart'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8159559947984568011</id><published>2010-02-19T14:34:00.000Z</published><updated>2010-02-19T14:35:07.562Z</updated><title type='text'>O parto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na madrugada em que o vento brando fazia as flores do prado roçarem umas nas outras, dando a impressão de sussurrarem baixinho, Luísa sentiu a primeira contracção. Estendida na cama, chorava lágrimas secas e contorcia o corpo engelhado. Luísa abriu espontaneamente as pernas como um pássaro abre as asas. O suor calcinava-lhe a alma e as longas expirações debilitavam-lhe os sentidos. Pelos lençóis imaculados escorriam riachos de sangue e sucos lânguidos de dor. Junto ao ouvido, sentiu, novamente, o sopro do homem que se ergueu nu no topo do relógio gigante, segurando na mão uma cruz de madeira. Avistou ao fundo da cama a criatura pequena e frágil, com orelhas entrançadas e seios descaídos. Luísa juntou as mãos em sinal de oração e relembrou o caixão dourado. Depois de várias horas de trabalho de parto, Luísa cerrou os olhos e aconchegou o morto.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8159559947984568011?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8159559947984568011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8159559947984568011' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8159559947984568011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8159559947984568011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/02/o-parto.html' title='O parto'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3291887662739584912</id><published>2010-02-19T13:07:00.000Z</published><updated>2010-02-19T13:08:18.836Z</updated><title type='text'>A música da morte (quando os que ouvem são surdos...)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;     Na noite que antecedeu o concerto, o maestro estava estranhamente bem disposto, apesar do receio de ser visto. Sentou-se na última mesa junto à casa de banho e pediu um whisky à empregada que calçava uns saltos altos desbocados e transparentes. Começava a questionar-se se teria tomado a decisão certa ao convidá-lo para tomar um copo. Enfim, pensou, já não há nada a fazer. Quando o viu entrar no estabelecimento, levantou o braço e acenou-lhe com a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para mim a obra de um poeta e de um maestro encerram em si a mesma verdade suicida. Nunca o que o poeta escreve é o que é, a ideia posteriormente visível será sempre e inevitavelmente uma mancha desfocada. A verdade é só mais uma forma de camuflagem – defendeu o maestro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A verdade é clara e transparente como a água. Já o homem é a peça que se deixa emaranhar pela teia confusa do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas para um maestro é impossível conseguir exteriorizar as notas que tocam na sua cabeça da forma mais pura; as palavras são vagas para uma ideia que é firme no seu estado mais puro e, da mesma maneira que aquilo que um poeta escreve pode ser interpretado de infinitas maneiras, o mesmo se passa com um maestro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- - -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Desde pequeno que o maestro sofre de insónias. Na altura, os pais consultaram todos os médicos da cidade, até os mais conceituados, mas nenhum foi capaz de lhe diagnosticar qualquer patologia. Com 41 anos, o maestro ainda se lembra com alguma regularidade dos pesadelos que o costumavam assolar em miúdo. Então o garoto enroscava-se nos lençóis de flanela borbotados e ficava horas de olhos presos no tecto, pedindo a Deus para não adormecer. Mas este nunca respondia ao seu pedido e, ao acordar, o maestro sentia-se envergonhado por ter molhado mais uma vez a cama. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;    Quando entrou para a escola, a expressão cabisbaixa e os gestos delicados enterneciam a professora mais rígida. Entre os colegas de turma, era conhecido como o maluquinho do fato azul, aquele que se senta no último lugar do meio e permanece calado, entretido com o vazio.   Os professores raramente o confrontavam com alguma pergunta ou observação pois tinham ordens para não o incomodar. Os colegas, por outro lado, faziam questão de expressar a sua maldade, ora atirando-o para o caixote do lixo, ora escavacando-lhe os óculos côncavos, ora apontando-lhe o dedo sempre que o viam chegar à escola com aquele fato azul fora de moda. Mas, enquanto subia vagarosamente a escadaria principal do edifício escolar, o menino parecia nunca se importar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Aos 21 anos, ainda a estudar no Conservatório de Música, o maestro actuou, pela primeira vez, num teatro municipal, a convite da Sociedade das Artes Musicais. Na altura, a pele acinzentada e a expressão cadavérica garantiam-lhe alguma notoriedade no meio. Andava sempre acompanhado por uma pasta preta, onde guardava com cuidado as partituras, e eram raras as vezes que falava sem gesticular as mãos. Quando as cortinas vermelhas desvendaram o palco, o maestro desabrochou os braços e errou a primeira nota. E a segunda e a terceira. À quarta nota, inspirou fundo e pediu ao cravista que subisse de tom. E depois ao violoncelista, ao harpista, ao barítono e ao soprano, até que todos se fundiram numa só nota levando à exaltação do público que aplaudiu de pé o maestro. No final, vergou as costas e baixou a cabeça, desolado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O dia do Concerto da Primavera chegara finalmente. Com a vinda da Primavera, a cidade vestira-se de cor e luz. As raparigas apressaram-se a tirar os vestidinhos amarelos do armário; as serpentinas de papel e os longos tapetes de flores estendidos na calçada deliciavam os pezinhos descalços das criancinhas que brincavam à cabra-cega.&lt;br /&gt;    Mas no dia do concerto, o maestro levantou-se carrancudo. Fechou-se durante alguns minutos na casa de banho e masturbou-se em frente ao espelho, esbracejando convictamente a música que tocava algures na sua memória, nota a nota, ritmo a ritmo, os tempos e os silêncios.&lt;br /&gt;     Sempre que dava um concerto, o maestro recusava-se a usar a batuta que usara no concerto anterior. Ao terminar um espectáculo, ouvia desinteressado a ovação do público e dirigia-se o mais rapidamente possível para o camarim. Aí, apressava-se a deitar a batuta usada no lixo e a sair discretamente do edifício.&lt;br /&gt;    Para o músico, a ideia de um concerto perfeito passava por este ser capaz de destruir o conteúdo falso dos espectadores, deixando-os atordoados, a suar e a gemer silenciosamente por dentro. Era esta força de destruição que o maestro evocava sempre que entrava em palco: uma força capaz de aproximar o público da morte através de uma experiência tão atroz que os deixasse desarmados perante a vida.&lt;br /&gt;    Ainda assim, era esta busca por algo que não existia que dava sentido à existência do maestro. Conferia-lhe forças para continuar, ainda que a consciência dessa verdade fosse cada vez mais dolorosa.&lt;br /&gt;    Terminado o ritual em frente ao espelho, o músico vestiu agilmente umas calças de bombazina e uma t-shirt gasta na gola e saiu de casa sem tomar o pequeno-almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O sol-posto anteviu o início do espectáculo que celebrava a chegada da estação mais florida do ano. Os últimos a chegar apressaram-se a sentar nos respectivos lugares e as rapariguinhas vestidas de amarelo cruzavam as suas pernas de seda chamando a atenção dos rapazolas mais atrevidos.&lt;br /&gt;    A iluminação do palco e a entrada dos músicos geraram o emudecimento da plateia. As notas serenas da harpa e do violino abriram o concerto durante alguns segundos. Os braços do maestro acariciavam o ar dançante e transportavam o público para um estado de leveza e nostalgia, aliciante até para os mais novos. Semelhante a uma linha que segue direcções sinuosas, para cima e para baixo num movimento quase imperceptível, a música do maestro convocava a presença de uma energia incorpórea que esmagava o coração daqueles que a ouviam. Abriu espaço a uma inebriante fraqueza que amoleceu o espírito e convocou a morte. Com o avançar da melodia, os espectadores começavam a encerrar-se em si, calcando a euforia da música que toca já longe. Com todos os olhos postos no apogeu máximo da ópera, embriagada pelo corpo ondeante do maestro que accionava ferozmente a música do seu coração, os espectadores caíram em uníssono no chão. Os corpos ainda lúcidos estavam quentes e exsudados, afogavam-se vagarosamente no seu próprio suor, como se um mar de esperma tivesse invadido o Concerto da Primavera. As árvores do jardim secaram e as flores apodreceram; já não se ouvia música, apenas o silêncio da morte. E então aí o maestro virou-se de frente para o público, esticou os braços para o céu estrelado e vergou-se, arrebatado. Finalmente conseguiu dar vida à música da morte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3291887662739584912?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3291887662739584912/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3291887662739584912' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3291887662739584912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3291887662739584912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/02/musica-da-morte-quando-os-que-ouvem-sao.html' title='A música da morte (quando os que ouvem são surdos...)'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-7200153596314186063</id><published>2010-02-02T20:22:00.002Z</published><updated>2010-02-02T20:23:48.666Z</updated><title type='text'>SALADA DE PEIXE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O escadote foi chamado mais uma vez, agora para montar o candeeiro octogonal renascentista que pesava nos braços esticados do Mário. Os três de olhos postos na viga do tecto da garagem, boquiabertos com as bochechas carminas do rapaz, tal não era o seu esforço. A Ana esperava impacientemente a palavra de ordem, encostada junto à caixa preta da electricidade. “Já está!”, disse ele, e ela quase que puxava o botão para cima. Quase. Não aconteceu nada, a não ser o flash da máquina do Tagas a bater nos refegos da barriga imaculada do Mário e o Gordo a dizer: “É assim que os acidentes acontecem!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Vinte minutos mais tarde, nos sofás)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então e comeram a salada de peixe? Como é que está? Está boa? – indagou a Ana.&lt;br /&gt;- É tipo, imagina... salada russa. É basicamente isso mas com peixe - esclareceu o Gordo.&lt;br /&gt;- Mas tem batata?&lt;br /&gt;- Tem. Tem batata, couve-flor, brócolos.&lt;br /&gt;- Tem é brócolos, que é uma merda! - reclamou o Mário.&lt;br /&gt;- Odeio é quando os brócolos vêm muita cozidos – opinou a Ana, de imediato.&lt;br /&gt;- Pois EU ODEIO quando os brócolos vêem! – gesticulando o sinal universal para terminar uma conversa.&lt;br /&gt;“Odeio quando os brócolos vêem!” – repetiu a Ana, largando uma gargalhada estridente.&lt;br /&gt;- Pá, odeio brócolos, odeio BRÓCOLOS!&lt;br /&gt;- Alguém tem um isqueiro? -, perguntou o Gordo sem resposta.&lt;br /&gt;- Pá, não tem a ver com ser fã ou não ser fã. Eu NÃOOOOOO! – gritou o Mário.&lt;br /&gt;- Pá, eu não como ervilhas. – opinou novamente a Ana.&lt;br /&gt;. NÃOOOO NÃOOOO NÃOOO”! Não como brócolos!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-7200153596314186063?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/7200153596314186063/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=7200153596314186063' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7200153596314186063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7200153596314186063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/02/salada-de-peixe.html' title='SALADA DE PEIXE'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-4454919705268896929</id><published>2010-02-02T20:04:00.002Z</published><updated>2010-02-02T20:23:26.254Z</updated><title type='text'>A mulher veneziana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A ponte dos suspiros estava lá com ela, de braços cruzados, consentindo impávida o seu fingimento ao cirandar pelos canais dédalos que lhe castravam o anseio de chegar ao mundo. Mas que amaldiçoado âmago poento da mulher veneziana, fantasma de ouro, carnaval de persiana. Era meretriz de ideias inconstantes, ora convulsas ora vagantes, levada pela força da invisibilidade, tinta de escrutínio, saudação muda. O vazio tornara-se um fardo demasiado pesado para carregar às costas em dias de chuva: caiu aos pés do mar e enxugou nele as suas lágrimas, pois era a ele que pertenciam.&lt;br /&gt;Todos os finais de tarde junto à ponte, manchava as calças de fina seda italiana com o suco fresco que escorria das grossas talhadas de melancia que roubava no mercado. E quando se punha noite, a longa cabeleira rubro acre aconchegava-lhe as clavículas ossudas e louvava as ondas do mar que se esquivam umas das outras eternamente. E era com a força da espuma cor de salmão que a veneziana experimentava lançar redes de pesca ao mar, exaltar a pujança dos operários das fábricas em poesia, igualar a precisão dos calceteiros da cidade. Mas infelizmente as redes não apanhavam senão grãos de areia, conchas e beatas, a folha branca permanecia vazia de exaltação e a calçada desalinhada servia de almofada a joelhos em chama.&lt;br /&gt;Os seus longos suspiros apiedavam os habitantes da cidade dos mil canais: o peixeiro, o ourives, o mercenário e/ou sapateiro. Desde sempre que a ideia de uma mulher em apuros é bem mais estimulante que a ideia de uma mulher em liberdade. Porra.&lt;br /&gt;E foi assim que, deslumbrada pelo brilho intenso da manhã, a mulher veneziana, como o elefante que se afasta do grupo para morrer em solidão, ordenou à gôndola que cirandasse para sempre pelos canais dédalos e fugidios de Veneza.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4454919705268896929?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4454919705268896929/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4454919705268896929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4454919705268896929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4454919705268896929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/02/mulher-veneziana.html' title='A mulher veneziana'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1575438803304777281</id><published>2010-01-29T17:31:00.001Z</published><updated>2010-01-29T17:34:33.041Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5432216023708006626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S2MbsURM-OI/AAAAAAAAACs/AYZ2bk_zaxg/s400/shunga+painting.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.joelcooner.com/.../wrestle-closer-d_7416.jpg"&gt;http://www.joelcooner.com/.../wrestle-closer-d_7416.jpg&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1575438803304777281?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1575438803304777281/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1575438803304777281' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1575438803304777281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1575438803304777281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/01/fonte-www.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S2MbsURM-OI/AAAAAAAAACs/AYZ2bk_zaxg/s72-c/shunga+painting.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8120000537364733602</id><published>2010-01-29T16:57:00.003Z</published><updated>2010-01-29T17:22:00.141Z</updated><title type='text'>o chá da vulva</title><content type='html'>Que linguagem sôfrega da mão&lt;br /&gt;nos mamilos brancos&lt;br /&gt;em corpo de leite derramados&lt;br /&gt;e que deleite,&lt;br /&gt;e que convulsão,&lt;br /&gt;ouvir o gemido sagaz&lt;br /&gt;ao ouvido da vulva cálida,&lt;br /&gt;tão voraz&lt;br /&gt;que anseia pálida&lt;br /&gt;mel ejaculado no regaço&lt;br /&gt;e que opulentas cuecas&lt;br /&gt;junto à perna da cama&lt;br /&gt;em sono profundo&lt;br /&gt;cansadas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8120000537364733602?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8120000537364733602/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8120000537364733602' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8120000537364733602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8120000537364733602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/01/o-cha-da-vulva.html' title='o chá da vulva'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-4951147711928616892</id><published>2010-01-25T18:43:00.003Z</published><updated>2010-01-25T18:46:57.916Z</updated><title type='text'>Lassa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Outrora ínsua de braços em pólvora e chapéus em espiral, à mercê dos desígnios do pranto salgado e das mulheres de buços brutos serenados pelos raios de sol de Maio, Lassa parece ter sido exilada da Terra. Não mais se ouviu o seu espreguiçar. Atroz languidez que se despenhou aos ziguezagues por quelhos esconsos que um dia viram passar um homem de capachinho na mão, intrigado com o aparato fogueteiro que queimava o céu constelado. Cecília ainda se recorda da Lassa antiga, aquela das cervejas condimentadas com pimenta das Arábias, dos toques das campainhas que se desfaziam em pó nas mãos das criancinhas, das correrias, do pão, da lezíria e dos &lt;em&gt;juncus marginatos&lt;/em&gt;. Não mais pensou em entregar-se de novo àquela cidade estonteante que a viu tornar-se mulher. Quando ela passava pela pracinha do centro não havia olhar masculino que não se revirasse de tesão, muito menos mulher que não comentasse o seu decote cuidadosamente bordado à mão. E numa madrugada em que o vento fazia as flores do prado roçarem umas nas outras, dando a impressão de sussurrarem baixinho, Cecília fez as malas e deixou Lassa. Talvez tenha sido por isso que Lassa deixou de ser a mesma. Talvez a imagem de Cecília, de costas voltadas para a ínsua, num barco de pescadores a trabalhar vagarosamente tenha despertado tamanha tristeza. Lassa é agora a ínsua dos desgostosos, dos que caíram no vazio da alma, dos expatriados, dos marinheiros enxovalhados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4951147711928616892?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4951147711928616892/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4951147711928616892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4951147711928616892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4951147711928616892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/01/lassa.html' title='Lassa'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-5630731390187360324</id><published>2010-01-20T14:32:00.002Z</published><updated>2010-01-25T18:47:21.971Z</updated><title type='text'>circo de zebus</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Da mesma maneira que o sangue da noite estancou, a alma em flecha e o circo chegou à cidade. A tenda amarelo amendoim desmaiada pelo sol, qual testa que esbarra contra o chapéu do ilusionista e uns quantos lémures no apêndice vermelho-coral. A arena vestida de camelo e descuidadamente suspensa no ar atiça os dentes do zebu que por terem sido serrados à pressa pelo veio da navalha reproduzem em câmara lenta as mãos da criança cravadas nas pregas vincadas do vestido em forma de leque. Xeque-mate! Os malabaristas estátuas, em pose vigilante, de cócoras vergados, como se esperassem as planícies fátuas aguadas de tesão. É a vez do ruído das rodas da jaula octogonal rutilante, do vapor menta-hortelã, das narinas rectas e peganhentas. Plateia muda, apenas o rumorejo dos zebus que só pensam em andar ao verde. E nisto, tromba erecta derruba bancadas e expressões esfrangalhadas. Chamam por Vénus vezes sem vez e o que vêem são esquinas de boca esbranquiçadas. (o elefante entra em cena); o circo não mais tornou a ser o mesmo, tomou posse da carne da viúva, do aleijado, do cabrito desdentado, encabritando-se em confrontos de braço de ferro, cuja violência se assemelha à natureza do homem. Poder-se-ia perguntar: e o servo inútil?, e aí sim, ouvir-se-ia, com uma voz rouca e encrespada: &lt;em&gt;Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes. Palavra da salvação. Ámen.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428833315716854178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 246px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S1cXIzAb8aI/AAAAAAAAACk/XWvLgOFXhS8/s320/Zebu1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-5630731390187360324?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/5630731390187360324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=5630731390187360324' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5630731390187360324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5630731390187360324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/01/circo-de-zebus.html' title='circo de zebus'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/S1cXIzAb8aI/AAAAAAAAACk/XWvLgOFXhS8/s72-c/Zebu1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8093138950612901235</id><published>2010-01-14T17:00:00.002Z</published><updated>2010-01-14T17:05:02.578Z</updated><title type='text'>kubaza</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;planície casca de laranja (Octávia) cidade teia de aranha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltou-lhes bengala entre as... Barrete! Fugiram com a massambala e a bunda entre as pernas, andar trôpego entupido, marufo que escorrega, desinibido, ponto de fuga, sugado, sanguessuga arame farpado choramingou um tipo fajuto derrotado. &lt;br /&gt;Voltaram quando deixaram de acreditar em alunagens. Em paisagens púrpuras, moinhos de vento tricotados em lã, esculturas esculpidas, rebuçados de cobre e arre! sou filho da puta e se me sento jamais me levanto e se me deito jamais adormeço na minha despensa conservada trancada à chave ao lado de atuns e desnatados. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8093138950612901235?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8093138950612901235/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8093138950612901235' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8093138950612901235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8093138950612901235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2010/01/kubaza.html' title='kubaza'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3950850248405706148</id><published>2009-12-24T16:29:00.001Z</published><updated>2009-12-30T17:02:57.225Z</updated><title type='text'>Folhadão de Frango com Caril</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ingredientes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 4 peitos de frango&lt;br /&gt;- 1 cebola grande&lt;br /&gt;- 2 dentes de alho&lt;br /&gt;- cogumelos portobello (uma embalagem)&lt;br /&gt;- 1 pimento verde&lt;br /&gt;- 1 pimento vermelho&lt;br /&gt;- margarina&lt;br /&gt;- sal&lt;br /&gt;- gengibre&lt;br /&gt;- orégãos&lt;br /&gt;- açafrão das índias&lt;br /&gt;- pimenta preta&lt;br /&gt;- duas colheres de sopa de caril&lt;br /&gt;- limão&lt;br /&gt;- natas porcini&lt;br /&gt;- massa folhada congelada&lt;br /&gt;- gema de ovo&lt;br /&gt;- pedacinhos de bacon fritos&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Preparação do recheio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais, pré-aquecer o forno a 200º C.&lt;br /&gt;Cozem-se os peitos de frango num tacho e adiciona-se sal. Num almofariz, esmagam-se os dentes de alho, sal, pimenta, caril, sumo de limão, orégãos, açafrão das índias e gengibre. Numa frigideira grande, derrete-se um pouco de margarina e a cebola picadinha e deixa-se alourar. Juntam-se os pimentos cortados em tirinhas, os cogumelos portobello e a papa anterior envolvendo-se tudo com muita paixão. Depois, acrescenta-se o frango já desfiado e rectificam-se os temperos (sal , pimenta moída no momento e caril). Por último, adicionam-se as natas porcini.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Preparação da massa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Forrar uma forma (redonda, de preferência) com metade da massa folhada, espalhar o recheio ainda morno e cobrir com a massa restante. Por último, pincela-se agema do ovo, adicionam-se  os pedacinhos de bacon frito e vai ao forno por 20 minutos. Delícia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receita de: Anocas Ardente&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3950850248405706148?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3950850248405706148/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3950850248405706148' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3950850248405706148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3950850248405706148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/12/folhadao-de-frango-com-caril.html' title='Folhadão de Frango com Caril'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3097304771011084266</id><published>2009-12-24T00:04:00.001Z</published><updated>2009-12-24T00:04:23.207Z</updated><title type='text'>Verde trópico</title><content type='html'>violai os ossos&lt;br /&gt;loucos varridos&lt;br /&gt;do rapaz-tordo&lt;br /&gt;outrora capitão de uvas bravas&lt;br /&gt;conta a boca do falatório gordo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estêvão passeava de burro – acolá&lt;br /&gt;atrelado aos seios amarelos&lt;br /&gt;da prostituta de corpo em chama&lt;br /&gt;outrora mulher de arroz&lt;br /&gt;massemba de cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cacimba&lt;br /&gt;dança das carnes&lt;br /&gt;sujas de vodka&lt;br /&gt;e carentes de sal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3097304771011084266?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3097304771011084266/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3097304771011084266' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3097304771011084266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3097304771011084266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/12/verde-tropico.html' title='Verde trópico'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-297105842783546998</id><published>2009-12-21T17:28:00.006Z</published><updated>2009-12-21T17:46:47.299Z</updated><title type='text'>“Sim…sim!” E.M. de Melo e Castro</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;o poeta é a merda do universo: possui todas as características do dejecto. Concentra em si a digestão do gesto; a genofagia do êxtase; a plasto_contracção do fluído; a cagoécia espan_torreica do astro; a feno_inflação do susto; a culo_táctica alviltrante do entre; a conges_tomatia da fúria; a subru_ptura do esfincter; a tirano contúcia do tesão; a espro_tuberância dos dedos; a ultra_fragância cliotoriana da nuvem; a proto_putática do cio; a venusiana contursão do ingesto; o factócio odor da pituito_gonoraica alga; a fundibular arrogância do ronco; a inco_butência lacunar do humor; a factoécia consistência da cístole; o infrutífero agosto do genefágio; o estro da alti_contur_bância da bacia;a penis implacência da pes_nínsula; a fictofinura insinular da inflo_strutura; o oginato fulgor do anão anal; a para_pirotécnica do sobre; a ficta inflogestão do gestual subje_ctinvo; o adjecto fragor do estrondo; a fúricaarragância do cilindro; a exalo ternura da ubstância mole; o facto falância mulhada; o duro durão do melotão; a igno rrância das bactárias; a ultra pante_rroico fulminância; a coiso coisíssima nenhuma. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.truca.pt/raposa_textos/poesia_34_melo_castro.html"&gt;http://www.truca.pt/raposa_textos/poesia_34_melo_castro.html&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-297105842783546998?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=1f7bd7ff582adea5&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=3e8389afc6f949ad&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=548b2de044d3ae8d&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/297105842783546998/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=297105842783546998' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/297105842783546998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/297105842783546998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/12/simsim-em-de-melo-e-castro.html' title='“Sim…sim!” E.M. de Melo e Castro'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-2048847659104822971</id><published>2009-12-17T12:52:00.003Z</published><updated>2009-12-17T13:06:02.987Z</updated><title type='text'>Relógios Falantes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Nos relógios falantes encontram-se dialogando o relógio das Chagas e o de Belas, ambos a consertar no serralheiro. As suas considerações constituem também uma censura aos costumes do tempo, dos validos, da moda, etc. Por fim, o tom é mais grave, e fala-se na velhice e na morte.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Relógio da Aldeia.&lt;/strong&gt; Senhor Relógio da Cidade, badalemos limpo, que as paredes ouvem, e as de campanários nunca foram de segredo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Relógio da Cidade.&lt;/strong&gt; Olhai ora cá: se o estar sempre à dependura me não me há-de valer para tirar o medo de não morrer enforcado, melhor é acabar logo por ua vez!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;R.A.&lt;/strong&gt; Cal-te, que te fundirão!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;R.C.&lt;/strong&gt; Pois que importa? Farão de mim campainhas, e então lhes direi por cem bocas o que não querem ouvir de ua. Par Deus! mas que me fundam, mas que me confundam, eu hei-de tanger sempre a verdade!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;R.A.&lt;/strong&gt; Por isso tu cá vens por mentiroso. Diz que a verdade, na língua dos que a não falam, e como a água do Chafariz de El-Rei, que, por correr por canos de enxôfar, sempre faz mal ao fígado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;R.C. &lt;/strong&gt;Fígados há aí tão danados, que da água pura e clara fazem peçonha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;R.A.&lt;/strong&gt; E tu, amigo, que ganhas em desenganar o mundo, que se não quer desenganar? O sumo grau da sandice é perder-se um pelo ganho do outro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;R.C.&lt;/strong&gt; É nobreza de coração, e ainda proximidade, não deixar perseverar a ninguém no seu engano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;In&lt;/em&gt; Relógios Falantes, de D. Francisco Manuel de Melo, escritos de 1654 a 1657.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-2048847659104822971?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/2048847659104822971/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=2048847659104822971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/2048847659104822971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/2048847659104822971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/12/relogios-falantes.html' title='Relógios Falantes'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-79930086329338583</id><published>2009-12-17T12:43:00.002Z</published><updated>2009-12-17T12:50:54.503Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao contrário da maioria das raparigas do seu tempo, Luísa nunca quis casar. Desprezava a ideia do amor oficializado, burocrático, guardado numa prateleira conspurcada pela traição e pelo egoísmo. Na juventude, aprendeu desde cedo a amar o corpo, em todas as suas formas, e a respeitar  a natureza carnal do homem. E sempre que o vento trespassava o tecido delicado da saia rodada e lhe atiçava o sexo masturbava-se, roçando as pernas devagarinho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca foi mulher de um, mas de muitos. Era raro o homem que não se deixava seduzir pela sua figura voluptuosa e carnal. Os olhos ligeiramente descaídos na ponta e os seios gordos e firmes sussurravam tesão ao ouvido de sexos duros. Luísa perdeu a virgindade com um rapaz, filho de um soldado das ex-colónias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-79930086329338583?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/79930086329338583/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=79930086329338583' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/79930086329338583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/79930086329338583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/12/ao-contrario-da-maioria-das-raparigas.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3312402565614477328</id><published>2009-12-17T12:22:00.000Z</published><updated>2009-12-17T12:27:15.435Z</updated><title type='text'>Imortalidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No céu, cavalos brancos com pernas longas lutavam exaustivamente com o vício que lhes apontava o dedo. Ouvia-se o sopro de um homem que se ergueu nu no topo de um relógio, segurando na mão uma cruz de madeira. Luísa estava no centro do altar presa a uma criatura miúda e frágil, com orelhas entrançadas e seios minguados. Verteu no copo línguas de uvas pisadas e juntou as mãos em sinal de oração. Trazia vestido um traje medieval, com uma corda atada à cintura. No cimo do monte, um caixão dourado, reluzente, com duas cabeças tortas dentro e “IMORTALIDADE” inscrita num dos lados do caixão. Da sombra, assomou uma linda mão de mulher que lhe esmagou o crânio até este dar sumo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Luísa acordou em sobressalto e olhou para o relógio na mesa-de-cabeceira que marcava as cinco da manhã. Observava fixamente o tecto amarelado, entristecido pela humidade do Inverno passado. Abriu a boca quase selvagemmente e alongou o pescoço de forma desengonçada como se acordasse pela primeira vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3312402565614477328?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3312402565614477328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3312402565614477328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3312402565614477328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3312402565614477328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/12/imortalidade.html' title='Imortalidade'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-4122280348627958465</id><published>2009-12-17T12:16:00.002Z</published><updated>2009-12-17T12:21:39.641Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Com onze canecas de cerveja e sete gins brincando às escondidas no bucho, caiu do primeiro degrau e só parou lá em baixo. (...) Era a noite de sábado, o melhor, o maior, o mais alegre pedaço da semana, um dos cinquenta e dois feriados na roda lenta do ano, um violento preâmbulo para um domingo de prostação. Paixões acumuladas estoiravam na noite de sábado, e os efeitos de uma monótona semana de trabalho nas fábricas eram expulsos do corpo em explosões de euforia. Seguia-se a grande máxima «bebe e diverte-te», deixavam-se os braços nodosos apertados em torno de uma cintura feminina e a cerveja a deslizar beneficamente pela garganta a baixo, direita à capacidade elástica do estômago."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;In&lt;/em&gt; Sábado à noite e domingo de manhã, de Alan Sillitoe&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4122280348627958465?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4122280348627958465/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4122280348627958465' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4122280348627958465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4122280348627958465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/12/com-onze-canecas-de-cerveja-e-sete-gins.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-4145280539636771793</id><published>2009-12-09T13:50:00.001Z</published><updated>2009-12-09T13:52:16.550Z</updated><title type='text'>Apareçam</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/Sx-rVt3mUdI/AAAAAAAAACc/xVo9l40y3sw/s1600-h/12M+flyer.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413233666701021650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 269px; CURSOR: hand; HEIGHT: 322px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/Sx-rVt3mUdI/AAAAAAAAACc/xVo9l40y3sw/s320/12M+flyer.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4145280539636771793?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4145280539636771793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4145280539636771793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4145280539636771793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4145280539636771793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/12/blog-post.html' title='Apareçam'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/Sx-rVt3mUdI/AAAAAAAAACc/xVo9l40y3sw/s72-c/12M+flyer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8263406088537240155</id><published>2009-11-13T11:57:00.000Z</published><updated>2009-11-13T11:58:13.470Z</updated><title type='text'>sal</title><content type='html'>não sou o sal&lt;br /&gt;nem que me gritem ao ouvido&lt;br /&gt;não sou boca, nem cal,&lt;br /&gt;nem cabeço fingido.&lt;br /&gt;à pátria queimada,&lt;br /&gt;à voz calada pujante&lt;br /&gt;cedo o meu amargo corpo&lt;br /&gt;terrestre etéreo viajante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8263406088537240155?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8263406088537240155/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8263406088537240155' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8263406088537240155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8263406088537240155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/11/sal.html' title='sal'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-7655971586674904792</id><published>2009-10-29T15:49:00.000Z</published><updated>2009-10-29T15:52:25.576Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Era uma vez o reflexo de um espelho que, todos os dias, mirava a sua pele clara, os seus olhos castanhos e os seus lábios carnudos. Ficava horas em frente ao espelho; conversava com ele, dançava para ele e só falava dele, do seu reflexo.&lt;br /&gt; O espelho, embelezado por uma clássica moldura em ferro, estava encostado a uma parede fria, pouco conversadora. Todos os dias, mais do que uma vez, perguntava ao reflexo “E eu? Como sou?” mas, todos os dias, o reflexo não o ouvia ou fingia que não ouvia. Sentia-se só e desprezado.&lt;br /&gt;Um dia, o espelho enervou-se. Embaciou-se de raiva e afugentou o reflexo reflectido em si, bem como a sua pele macia, os seus olhos castanhos e os seus lábios carnudos. &lt;br /&gt;Apesar de viver no lado do não-reflexo, o espelho queria acreditar que era mais do que um objecto sem corpo. Imaginava-se espadaúdo e musculado, com uma aparência própria, só sua.&lt;br /&gt;Até ao dia em que o espelho arranjou a solução para o seu problema. Mesmo sabendo que o frigorífico, além de glutão, era grosseiro com toda a mobília da casa decidiu arriscar. Pediu-lhe delicadamente para andar dois passos para a sua direita. E assim que se aproximou, contrariado, o espelho apareceu reflectido na superfície branca do frigorífico. Não queria acreditar no que vira. Era impossível! Só podia! Estava virado do avesso, com uma peúga na cabeça e cabelos pretos nos pés. Cerrou os olhos, tombou para trás e nunca mais se levantou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-7655971586674904792?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/7655971586674904792/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=7655971586674904792' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7655971586674904792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7655971586674904792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/era-uma-vez-o-reflexo-de-um-espelho-que.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8372235436645204026</id><published>2009-10-22T20:56:00.001+01:00</published><updated>2009-10-22T20:57:44.990+01:00</updated><title type='text'>meio-cadáver</title><content type='html'>enfiou a malha borbotada&lt;br /&gt;comprimindo o arrepio&lt;br /&gt;mas o acto não abafou&lt;br /&gt;o autêntico desafio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois o lábio entorpecido&lt;br /&gt;paralisado e amortecido.&lt;br /&gt;foi incapaz de envergonhar&lt;br /&gt;aquele frio abrutecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tempo não cessava&lt;br /&gt;e a paciência da velha açulava&lt;br /&gt;“mas que raio vem a ser isto?”&lt;br /&gt;perguntou exaltada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfiou outra malha&lt;br /&gt;de cor negra, desarranjada&lt;br /&gt;mas a mão enregelada&lt;br /&gt;correu o corpo, agitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“mas que merda vem a ser esta?”&lt;br /&gt;gritou para o espelho, embaciado,&lt;br /&gt;e o espelho nada fez&lt;br /&gt;senão mostrar-se desinteressado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu que olho para a velha&lt;br /&gt;aflige-me a sua dormência&lt;br /&gt;basta a chaga amargurada&lt;br /&gt;chega o estado de latência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8372235436645204026?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8372235436645204026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8372235436645204026' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8372235436645204026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8372235436645204026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/meio-cadaver_22.html' title='meio-cadáver'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1870304239916937807</id><published>2009-10-22T20:55:00.000+01:00</published><updated>2009-10-22T20:56:07.471+01:00</updated><title type='text'>o dipsomaníaco</title><content type='html'>vi aquele corpo letárgico&lt;br /&gt;dar voz a um títere sôfrego, ascético&lt;br /&gt;e sulquei-lhe a alma saqueada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nefando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao meditar a excrescência do folículo&lt;br /&gt;estranhei o seu candor crispado&lt;br /&gt;e assente no céu como um safado,&lt;br /&gt;ele - o dipsomaníaco - foi apedrejado&lt;br /&gt;e no cume do montículo dilapidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nefando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;andava enfadado com o líquido desfeito.&lt;br /&gt;decomposto pela ociosidade. afeito.&lt;br /&gt;e assim que expeliu o ar, despeito&lt;br /&gt;subiu os degraus do cadafalso. malfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nefando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e assim foi enforcado, insípido&lt;br /&gt;perdido num pranto dantesco.&lt;br /&gt;que desmedido sacrilégio frígido&lt;br /&gt;fez sucumbir o nosso dipsomaníaco burlesco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1870304239916937807?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1870304239916937807/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1870304239916937807' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1870304239916937807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1870304239916937807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/o-dipsomaniaco_22.html' title='o dipsomaníaco'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1341761814504508680</id><published>2009-10-22T20:52:00.000+01:00</published><updated>2009-10-22T20:53:36.561+01:00</updated><title type='text'>O relógio na outra margem do rio</title><content type='html'>Era uma vez três irmãs que viviam numa casa muito pequena. A mais velha, Luciana, era muito alta e estava sempre a bater com a cabeça no tecto. Diana, a irmã do meio, tinha os pés muito grandes e, todos os dias, tropeçava nos cantos dos móveis da casa. E Belinha, a mais nova, via muito mal e nem as grossas lentes dos óculos a impediam de perder-se pela casa.&lt;br /&gt;Já estavam deitadas quando alguém bateu à porta. Truz, truz! – ecoou pela casa. Era de noite e chovia a potes. Olharam umas para as outras, apavoradas, e emudeceram, pois sabiam que a noite pertence aos gatos pardos. Mas as pancadas na porta não pararam. Então, pé ante pé, Diana levantou-se da cama e afastou devagarinho a cortina florida da janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um anão! Parece estar cheio de frio, coitadinho. Vamos abrir-lhe a porta. De certo que não nos fará mal – disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem pensar! Não são horas para receber visitas. Já é tarde! – contestou a mais velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas e se estiver a precisar de ajuda? Devíamos ver o que se passa – convenceu Diana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi... A Luciana, ao levantar-se, bateu com a cabeça no tecto e ganhou mais um galo; A Diana tropeçou no tapete e caiu em cima da estante dos livros; e a Belinha estatelou-se contra a porta do quarto, ficando para trás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é? – perguntaram, com a voz trémula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou perdido e tenho muito frio, por favor, ajudem-me! – ouviu-se do lado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriram a porta, com cuidado, mas as bochechas coradas do anão logo enterneceram as três irmãs que o convidaram a entrar. Estava vestido com um enorme macacão azul e uma carapuça grená que parecia um cogumelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para agradecer a vossa hospitalidade, vou contar-vos um segredo. Mas têm que prometer que não contam a ninguém, senão... – disse o anão, aquecendo-se à lareira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conta, conta, anão! – exclamaram as três irmãs em uníssono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há muitos, muitos anos atrás, o Grande Mago dos Sonhos lançou um feitiço no cimo destas montanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um feitiço? - perguntou Diana, com uma expressão sobranceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Criou um relógio capaz de transformar os sonhos em realidade. Ainda hoje permanece escondido no tronco oco de uma árvore. Está aqui o mapa – tirando uma folha amachucada do bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As três irmãs ficaram em êxtase. No dia seguinte, ainda o sol não tinha nascido, rumaram até ao cimo das montanhas para procurar o relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, olha, ali ao fundo... Está ali a árvore que o anão falou!!! – gritou a Luciana, apontando para um tronco seco na outra margem do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora? No mapa não existe nenhum rio. O anão tramou-nos! – clamou Belinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ânimo das três irmãs esmoreceu. Mas Diana logo teve uma ideia capaz de as levar até à outra margem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estão a ver aquele sapo gigante? De certeza que aceitará ajudar-nos! – exclamou, aproximando-se devagarinho do animal que dormia uma sesta.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;E assim foi... O sapo aceitou o pedido das três irmãs e, uma de cada vez, saltaram para as costas do sapo e atravessaram o rio. Descobriram, finalmente, o relógio mágico, banhado em ouro, e fizeram tal e qual como o anão lhes tinha dito. Rodaram os ponteiros retorcidos e enferrujados e marcaram as três horas. A Luciana pediu para ser mais baixa, a Diana pediu para ter os pés mais pequenos e a Belinha pediu para ver melhor.&lt;br /&gt;Quando regressaram a casa, as três irmãs espantaram-se ao ver que saia fumo da chaminé. “Está alguém em casa”, pensaram e quando abriram a porta viram o anão de pijama refastelado no sofá da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, mas... Conseguiram atravessar o rio? Encontraram o relógio? – perguntou, surpreso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devias ter vergonha! Não és mais bem-vindo nesta casa! – apregoou Diana, enxotando o anão para fora com uma vassoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nunca mais ouviram falar no anão charlatão que não acreditou na força e perseverança das três irmãs.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1341761814504508680?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1341761814504508680/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1341761814504508680' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1341761814504508680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1341761814504508680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/o-relogio-na-outra-margem-do-rio.html' title='O relógio na outra margem do rio'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-152794431918270575</id><published>2009-10-15T16:13:00.003+01:00</published><updated>2009-10-15T16:22:56.881+01:00</updated><title type='text'>Lontra</title><content type='html'>Quiseram comer-me a cartilagem, aqueles monges safados que no outro dia se atravessaram no meu caminho! Ai se eu os apanho! Visitei o mar nessa manhã. Sentei-me na areia e abri os braços à lontra. Gorda e com um herpes no lábio. Quando olhei para trás e vi a minha cidade dentro de um cortiço em forma de estômago assustei-me. Parecia apertada e ofereci-lhe um sopro. Agradeceu-me e virou sapo e fugiu. Quando voltei, o mar tinha iniciado viagem. Ao longe gritava por mim, soltando vagas tristes. Mas ai aqueles monges!!! Sacanas dos velhos que me quiseram trincar a cartilagem! E os tijolos que caíram no prédio em frente? Ninguém os acode e tenho pena porque eram bons tijolos. Mas alguém faz alguma coisa por isso? Naquela manhã, cruzei-me com um ao virar da esquina. Pareceu-me material de qualidade, um bom chefe de família. Não me falou... é verdade... mas bolas!!! Era um tijolo!!! Não me lembro de acordar nessa manhã, nem de adormecer no dia antes. Mas lembro-me que nessa manhã me esqueci do casaco em casa e como estava frio resolvi pedir o pêlo de um gato vadio emprestado. Mas só de pensar nos sacanas dos monges sinto um arrepio na espinha! Nessa manhã, cacei um camelo aprumado que passeava uma boina turca na cabeça. Os seus cascos maçudos ainda me fizeram mossa na cabeça. Só não me lembro como essa manhã acabou...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-152794431918270575?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/152794431918270575/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=152794431918270575' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/152794431918270575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/152794431918270575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/lontra.html' title='Lontra'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-9099013982521509426</id><published>2009-10-13T13:10:00.000+01:00</published><updated>2009-10-13T13:11:37.794+01:00</updated><title type='text'>Desgraçado</title><content type='html'>desgraçado do que viu o porto&lt;br /&gt;de sangue amorfo&lt;br /&gt;beber-lhe o corpo desenxabido.&lt;br /&gt;vivido e repetido pelo&lt;br /&gt;círculo desgraçado que só é ciclo&lt;br /&gt;quando a linha de volta beija&lt;br /&gt;a reviravolta do tempo&lt;br /&gt;que não volta sem se repetir&lt;br /&gt;vivendo.&lt;br /&gt;e o desgraçado,&lt;br /&gt;que nasceu do chão&lt;br /&gt;calçado com botas de cão,&lt;br /&gt;a Ele – ao Tempo frustrado –&lt;br /&gt;o desgraçado virou-lhe as costas&lt;br /&gt;e nunca mais olhou para trás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-9099013982521509426?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/9099013982521509426/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=9099013982521509426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/9099013982521509426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/9099013982521509426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/desgracado.html' title='Desgraçado'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-7099181305145119483</id><published>2009-10-12T15:15:00.002+01:00</published><updated>2009-10-22T19:34:30.340+01:00</updated><title type='text'>o Texugo e o velho Cucu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Texugo foi com a mulher à floresta encarnada procurar mantimentos para suportar o longo e penoso Inverno. Encontraram ervilhas, feijões verdes e sementes de girassol que deram para encher oito sacos de verga. Mas, sem darem por isso, o sol despedira-se ternamente dos vales, florestas e rios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou cansada e já anoiteceu. Por favor, deixa as ervilhas e vamos para casa - pediu a mulher do Texugo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas ainda não apanhámos o suficiente para dar ao velho Cucu. Vai para casa que eu continuo a trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi. O sol deu lugar à lua, que deu lugar ao sol, que deu lugar à lua novamente. Dois dias passaram e o Texugo conseguiu recolher alimento suficiente para suportar o frio e dar ao Cucu que vive na árvore mais alta do bosque azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui tens as vinte sacas de ervilhas e sementes de girassol que prometi – gritou o Texugo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Demoraste muito tempo. Pensava que já não vinhas – disse o Cucu, arrogante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu nunca desisto. Sou persistente. Onde está a saliva de andorinha? A minha mulher está muito doente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- És mesmo burro! Acreditaste mesmo que a saliva de andorinha cura todos os males? – falou o Cuco, largando uma enorme gargalhada que ecoou por toda a floresta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se apercebeu que tinha sido enganado pelo espertalhão do Cucu, o Texugo ficou bastante zangado e saiu da floresta a praguejar para os arvoredos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Cucu vai-se arrepender do que fez – exclamou o Texugo ao entrar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é que se passou? – disse a mulher com a voz limpa e segura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás melhor? Não acredito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falei com o Peru que me receitou chá de erva preta e melhorei. Mas o que é que o velho Cucu aprontou desta vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A história da saliva de andorinha...era mentira... Magano do Cucu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, o Texugo foi ter novamente com o Cucu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ó Cucu? Estás por casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, ora, quem é ele... Pensei que estivesses chateado comigo. O que te traz por cá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sou de guardar rancor. Achei umas sementes deliciosas perto do rio. Queres provar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum... que interessante! – disse o Cucu pondo uma semente à boca - Sabe a pimento vermelho. Que delícia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou-se um mês e o Texugo voltou à árvore mais alta do bosque e chamou pelo velho Cucu. Silêncio. Voltou a chamar mas nada, apenas silêncio. Quando se virou para retomar caminho, o Texugo assustou-se com a presença intimidatória do Cucu que gesticulava com as asas e picava encolerizado o tronco da sua árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdeste o pio, não foi? Pois é para aprenderes a não gozar com o sofrimento dos outros e a procurares o teu próprio alimento. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-7099181305145119483?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/7099181305145119483/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=7099181305145119483' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7099181305145119483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7099181305145119483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/o-texugo-e-o-velho-cucu.html' title='o Texugo e o velho Cucu'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-4310188913807084256</id><published>2009-10-08T20:52:00.000+01:00</published><updated>2009-10-08T20:53:37.899+01:00</updated><title type='text'>A "descartabilidade" humana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sinto-me usada, suja, conspurcada. Aquele que nunca se sentiu descartável que ponha o dedo no ar. Eu quero ver isso. Estou cansada. Estou profundamente magoada com os carris do comboio que se atravessaram no meu caminho e não me pisaram, os desgraçados. Sou incapaz. Peço aos outros que copulem mas ninguém o faz. Ninguém me ouve. A “descartabilidade” humana afecta-me mas não me mata. Mas afecta e muito. Não vale a pena fazer interrogações quando já conhecemos as respostas de trás para a frente e de frente para trás. Levar-me pela mornidão do Outono, pelas folhas carpidas, cujo queixume ninguém quer ouvir. Ouvidos moucos, caros semblantes de agonia, de tormentos risos emurchecidos ao sol. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repito: sinto-me descartável, usada, suja, conspurcada. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4310188913807084256?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4310188913807084256/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4310188913807084256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4310188913807084256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4310188913807084256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/descartabilidade-humana.html' title='A &quot;descartabilidade&quot; humana'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1037342465386220049</id><published>2009-10-08T13:33:00.010+01:00</published><updated>2009-10-09T19:24:04.267+01:00</updated><title type='text'>A PRAGA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tudo funcionava como devia funcionar – a chamada ordem das coisas, mutável, assente em terras movediças. Ora a vizinha arcava com as desculpas dos condóminos sobre o cheiro a mijo na entrada do prédio, ora o calceteiro brigava com o funcionário do Estado por este ter estacionado a viatura em cima do passeio em obras, ora o turista inglês, de mala às costas e mapa na mão, pedia indicações sobre o castelo de São Jorge.&lt;br /&gt;Tudo funcionava como devia funcionar até que “o que comeu as duas Marias”, o rapaz das oficinas experimentais, foi mordido por uma cobra, mesmo ao largo do Rossio. O caso era inédito e dava pano para mangas. Não há memória de alguém ser atacado por uma cobra mesmo no coração de Lisboa. Mas, ao que parece, as coisas mudaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A história das duas Marias&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Num dia quente, banal, igual a todos os outros, o rapaz passeava pelo Rossio de braço dado com as duas Marias, moçoilas robustas e rosadinhas, órfãs de mãe. Não se contentou com uma. Fez o que pôde para levar as duas a passear. E lá foram os três pavoneando-se pela cidade, ele de papo erguido e barriga encolhida, dentro de um pomposo fato castanho que pertencia ao seu pai; elas exibindo os bustos acentuados pelo decote dos vestidos colados ao corpo e rindo alto para chamar a atenção dos que caminhavam na rua. Mas o encontro não acabou bem, pelo menos para o rapaz. Decidiram parar para tomar café e conversar. Ao entrarem na pastelaria, todos os olhos caíram em cima das duas Marias, esplendorosos arquétipos de feminilidade. O empregado que os atendeu tremia ao anotar os pedidos no velho bloco e elas, as Marias, encantaram-se com o jeito desajeitado daquele garoto, vermelho que estava. O rapaz, claro, percebeu tudo. “Quem são elas para me desprezarem desta maneira?”, cogitou, indignado. E, sem meias medidas, levantou-se bruscamente da cadeira, entornando propositadamente os galões em cima dos vestidos das meninas, que se mostraram demasiado atrevidas para o seu gosto. Abandonou o café e nunca mais lhes dirigiu palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Triste epílogo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz estava pálido e imobilizado. O veneno dispersava rapidamente pelo corpo, entorpecendo-lhe os músculos e provocando-lhe espasmos respiratórios. Assim que chegou ao hospital, foi imediatamente assistido por uma equipa técnica altamente qualificada no assunto. Tarde demais. O adversário adiantara-se ao roer-lhe as entranhas e o rapaz pereceu estendido na maca do hospital. Triste epílogo.&lt;br /&gt;No dia seguinte, este acontecimento estranho foi relatado até à exaustão nos meios de comunicação (chupadores). “Víbora-cornuda ataca jovem em plena Lisboa”, fazia os cabeçalhos dos jornais. Na televisão, a ministra da Saúde emitia o alerta com uma expressão séria e preocupada, estimulando o pânico entre os lisboetas.&lt;br /&gt;Carmo estava na cozinha quando o Manuel chegou a casa, já passava das dez da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque é que não me avisaste que ias chegar tarde? Estava tão preocupada contigo, homem. Ouviste as notícias?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Qual delas? Há tantas por aí... Aquela do homem que morreu electrocutado ao tentar roubar fios de cobre? Ou aquela em que desapareceu a tartaruga do chafariz da aldeia de Cima? Para mim, esta é a melhor!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Ai homem, homem, como é que te podes estar a rir numa altura destas? Anda uma cobra venosa em Lisboa, um rapaz já morreu e tudo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Isso é só para nos preocuparem, não vês logo? Acalma-te mas é e serve-me o jantar. Estou esfomeado! (Ao abrir a panela...) Caril de frango com quiabos? Outra vez Carmo? Já deito isto pelos olhos, francamente...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Cala-te e come. Já não te posso ouvir com essa conversa, chiça!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Botas rijas de morder&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmo acordou sobressaltada a meio da noite. Olhou para o lado e a expressão serena de Manuel acalmou-a por instantes. Ao entrar na cozinha, o suor escorre-lhe pelo rosto e as mãos tremem ao pegar no copo de água. Recorda-se apenas de partes desfocadas do sonho, paradas no tempo. A casa sem mobília, sem luz ao fundo do corredor. O ritmo dos guizos incandescentes ao longe e uma sensação peçonhenta na pele. Grunhiam-lhe ao ouvido mas parecia surda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que estás a fazer acordada a estas horas? Desde que ouviste aquela notícia na televisão que estás assim – disse Manuel, entrando de rompante na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Às vezes ponho-me a pensar o que vai ser de nós. As contas para pagar, a tua doença e agora esta história das cobras e das botas. Só de pensar nisso fica toda arrepiada.&lt;br /&gt;- Deixa-te de disparates. Não tens motivos para estar assim. Quanto às botas, não te preocupes, já tenho tudo controlado. Amanhã cedo resolvo esse assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fico mais descansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- És uma mulher forte, desembaraçada, e é por isso que te admiro tanto. O que tu precisas é de uma boa noite de sono. Vá, vê se dormes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- - -&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eléctrico amarelo com destino à Ajuda inicia viagem. O som das rodas a roçar nos carris encoraja os putos que se empoleiram na parte traseira do transporte público. Os lugares sentados estão todos ocupados e Manuel encosta-se junto à porta de saída. O cheiro do vinho carrascão que alguém derramou no chão provoca náuseas à senhora de cabelo eriçado dos lados, com laivos dourados nas pontas estragadas. Ao fundo, no lugar encostado à janela, do lado direito de quem entra, está um senhor com um chapéu de palha na cabeça, com feridas abertas nas mãos e o rosto encarnado, ébrio. Perto de Alcântara, Manuel é surpreendido pela entrada de dois fiscais, direitos e aprumados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O seu bilhete, por favor. – gaguejou o mais novo, inexperiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está aqui. Tudo em ordem? – perguntou o Manuel, em tom de gozo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, está. – respondeu o fiscal, dirigindo-se embaraçado para o homem de barba cinzenta – O seu bilhete, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O meu nome é Jacinto Rodrigues e gosto muito de pombas. As putas só têm o que merecem – balbuciou, sem levantar os olhos sob o efeito do vinho que não desperdiçara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns bancos mais à frente estão duas senhoras emproadas, vestidas com longos casacos de pêlo branco. Vêem carregadas de sacos e com os pés ainda a latejar da penosa corrida para apanhar o eléctrico. Falam e riem alto desdenhando as vidas alheias e captando a atenção de todos os passageiros, incluindo a de Manuel. O único que não olhou foi Jacinto. Não se importava com isso.&lt;br /&gt;Ao deparar-se com o ajuntamento de pessoas irrequietas na farmácia, os nervos de Manuel dispararam. Esta era a única farmácia em Lisboa que ainda não tinha esgotado o &lt;em&gt;stock&lt;/em&gt; de botas. Após aproximadamente duas horas, o número de Manuel é finalmente evocado por um responsável de farmácia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito bom dia! Quero duas botas protectoras. Umas para mim e outras para a minha mulher. Números 38 e 43, se faz favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entendido. Tem preferência na cor? Temos em preto e em verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Verde. As duas. Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A motorizada vermelha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel cresceu numa quinta com os três irmãos, nos arredores de Lisboa. Os mais novos, João e Duarte, emigraram para França, logo após a Revolução dos Cravos e Manuel não os vê desde então. O mesmo acontece com o irmão mais velho, Hilário. A última vez que o viu, se a memória não lhe falha, foi no Outono de 86. Encontraram-se por acaso em Massamá. Estava um dia quente e chuvoso e Hilário parecia bastante empolgado por ver o irmão. Apesar de breve, Manuel nunca mais se esqueceu daquele encontro. Nesse dia, ao contrário dos outros, Hilário parecia alegre e bem-disposto. Confidenciou-lhe que tinha conhecido uma rapariga e que estava apaixonado. “Ela é prostituta”, segredou-lhe ao ouvido e corou. Manuel não disse nada. Não teve tempo pois Hilário foi rápido na despedida, tendo gritado apenas do outro lado do passeio: “Se perco o comboio, estou tramado com ela! Dá um beijo meu à Carminho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde é que está a minha camisola preta? - perguntou Manuel impaciente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Qual? Aquela de malha grossa? Está no cesto da roupa lavada. Vai lá buscá-la e veste-te rápido. Não quero chegar atrasada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1037342465386220049?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1037342465386220049/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1037342465386220049' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1037342465386220049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1037342465386220049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/praga.html' title='A PRAGA'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-757351431977173909</id><published>2009-10-07T12:55:00.002+01:00</published><updated>2009-10-07T13:00:06.402+01:00</updated><title type='text'>Duas camas em pólvora</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era uma vez duas camas que segredavam silêncios resguardados nas paredes do quarto maior da casa. Quase em sussurro, abriam os trâmites da memória desnudada e descobriam-se sozinhas, perpetuando-se.&lt;br /&gt;O mundo das camas-amantes era aquele quarto, antigamente ocupado por um casal de meia-idade, ele plácido e impávido ela altiva e distante. Ambos se recusavam a afugentar as rugas dos velhos lençóis, a trocar as fronhas amareladas das almofadas ou a fazer uma amável dobra no lençol. Eram inquilinos frios, amantes desinteressados, seres que fraquejavam ao mínimo impulso de violência.&lt;br /&gt;Começaram por discutir sobre insignificâncias mundanas – os dois amantes distantes. Depois resolveram, por mútuo acordo, afastar as camas (que eram duas para fazer uma). Depois separaram-se e puseram a casa, toda mobilada, à venda. Sem escrúpulos pelas camas que se amavam, odiaram-se até que a morte veio e lhes sugou o suco da vida.&lt;br /&gt;As duas camas-amantes sentiram-se usadas e descartáveis, até mesmo corrompidas. Já nada havia a fazer senão devorarem-se ainda mais, com maior intensidade, com força maior, com vigor acrescido, com pleno sentido de consciência do que significa o amor entre duas camas em pólvora.&lt;br /&gt;O sol começa a derreter-se. Digestão lenta e atordoante. O vento desconcertante toca piano do lado de lá da janela e o ranger das vidraças faz os pés das camas gemer; trocam carícias e enroscam-se na colcha rendilhada, pirosa, muito floreada. Entregam-se ao prazer ordinário e sucumbido que mora para além do assédio binário, uma vez cedido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-757351431977173909?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/757351431977173909/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=757351431977173909' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/757351431977173909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/757351431977173909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/duas-camas-em-polvora.html' title='Duas camas em pólvora'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-6654986162659302889</id><published>2009-10-03T13:15:00.003+01:00</published><updated>2009-10-22T19:36:21.666+01:00</updated><title type='text'>Os suplícios do Josué</title><content type='html'>O antigo homem dos sete ofícios&lt;br /&gt;Muito corado e envergonhado&lt;br /&gt;Carregava aos ombros demasiados suplícios&lt;br /&gt;Fúnebres trajes abandonados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Josué deram liberdade e poder de escolha,&lt;br /&gt;Com consciência fonológica,&lt;br /&gt;Mas tudo à sua volta pedia a recolha&lt;br /&gt;Da sucumbida experiência analógica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um, dois, três degraus&lt;br /&gt;Subidos pelo Josué&lt;br /&gt;Comidos por leões de crateras&lt;br /&gt;Ao longo do torso torto morto.&lt;br /&gt;Da poesia dos astros incólumes.&lt;br /&gt;Do rugido do rei roxo&lt;br /&gt;Que é sagrado purpúreo púlpito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem sou eu?” – gritou o Josué em cima de tábua instável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A não-resposta disse que sim&lt;br /&gt;ao homem dos sete ofícios&lt;br /&gt;iludido pelo doutor petório&lt;br /&gt;e pelo sentido notório&lt;br /&gt;da existência dos anjos analfabetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Suplícios, suplícios!” – gritou o Josué criando alarido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deram-me tantos suplícios!” – chorou o Josué numa cena comovente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-6654986162659302889?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/6654986162659302889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=6654986162659302889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6654986162659302889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6654986162659302889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/os-suplicios-do-josue.html' title='Os suplícios do Josué'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-6123514399189477239</id><published>2009-10-02T13:07:00.001+01:00</published><updated>2009-10-02T13:10:13.100+01:00</updated><title type='text'>O sofá perfeito (continuação)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No dia seguinte, o Meia-Cuca acorda com o toque alvoraçado do despertador. Sonhou com o tetravô sentado de pernas cruzadas no quintal a chorar compulsivamente; com a tetravó a correr louca pela casa; com gatos desvairados à caça de formigas gigantes. O Meia-Cuca só não se lembra de que foi ele o responsável pelo pranto do tetravô, pelo pânico da tetravó, pela caça felina às formigas. Adiante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até hoje, o Meia-Cuca foi sempre um trabalhador pontual. Desde o início que caiu nas boas graças do patrão. Respeita na íntegra os horários de trabalho, obedece calado e passivamente a ordens disparatadas. Não questiona, executa. Mas logo hoje atrasa-se. Pobre augúrio.&lt;br /&gt;Quando chegou do trabalho, exausto, despiu rapidamente o fato quente e pesado do trabalho, numa tentativa de se livrar do peso do dia. Ouviu longas reprimendas do patrão, foi alvo de chacota entre os colegas de trabalho, atabalhoou-se na entrega de documentos importantes.&lt;br /&gt;Ao abrir a porta da sala, que fechara propositadamente na noite anterior, o olhar do Meia-Cuca embate naquele sofá castanho misterioso, cujas costuras estão gastas e ao qual faltam dois dos quatro pés de apoio. Senta-se, comodamente, e só acorda sete dias depois.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-6123514399189477239?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/6123514399189477239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=6123514399189477239' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6123514399189477239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6123514399189477239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/10/o-sofa-perfeito-continuacao.html' title='O sofá perfeito (continuação)'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8191443760321707003</id><published>2009-09-28T16:44:00.003+01:00</published><updated>2009-09-28T16:54:16.556+01:00</updated><title type='text'>O sofá perfeito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Meia-Cuca nem quer acreditar. Será possível um homem de meia-idade, com meia cabeça e meio coração, receber em casa o sofá que pertencia ao seu tetravô em pleno mês de Agosto? Quando a campainha tocou, o Meia-Cuca ainda estava vestido com o fato do trabalho, pesado e quente. “Quem é?” perguntou, encalorado. “Encomenda para o Sr. Meia-Cuca”, ouviu-se do outro lado. Pediu-lhe que assinasse uns papéis amarelos, dando-lhe de seguida a carta amarrotada pelos serviços postais. O carteiro lamentou o sucedido e o Meia-Cuca fechou-lhe a porta pensativo. “Ora esta... Quem diria... O sofá do meu tetravô. Só é pena não combinar com a mobília da sala. Lixo, está dito!”. Apressou-se a deixar o sofá ao lado do caixote do lixo e voltou para dentro. Só quando se sentou na sua poltrona, uma aparatosa cadeira de pele negra, é que o Meia-Cuca se lembrou da carta esquecida em cima do frigorífico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Olá Meia-Cuca. Como tens passado? Escrevo bastante entusiasmada por saber que o último desejo do teu tetravô cumpriu-se finalmente. Já não era sem tempo, aliás... Mas as burocracias da herança atrasaram a entrega. Espero gostes da surpresa.&lt;br /&gt;Um beijinho da bisavó Clotilde!”´&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Meia-Cuca nem quer acreditar. Além da dor de consciência por se ter livrado daquele sofá hediondo, sente agora pena pela bisavó Clotilde que sempre foi uma pessoa bastante prestável. Levantou-se do cadeirão, num ápice, e saiu porta fora. Receava que algum vagabundo, filho de ninguém, se apoderasse do sofá que abandonara há minutos. Contudo, o sofá continuava no mesmo sítio. Intocável. Intacto. Incólume. A custo pegou no sofá encardido e transportou-o novamente para cima. Primeiro pensou colocá-lo junto à janela, depois ao lado do móvel da televisão e ainda encostado à parede mestra. Não conseguia decidir. Já era tarde e o Meia-Cuca estava exausto. "Vou dormir. Amanhã logo se vê."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8191443760321707003?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8191443760321707003/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8191443760321707003' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8191443760321707003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8191443760321707003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/09/o-sofa-perfeito.html' title='O sofá perfeito'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-93346176525309547</id><published>2009-09-28T15:10:00.001+01:00</published><updated>2009-09-28T15:13:20.582+01:00</updated><title type='text'>A centopeia que comeu o gato</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"&lt;/em&gt;Se pensas que me esqueço disto estás muito enganado ó Zezinho!", magicou o gato do Zé Manel depois de um miar mirrado. Virou-lhe costas, afoito, e arregaçou a parte traseira emproada. “C***** do gato, hein...” gritou, por sua vez, o Zé Manel, um senhor atrevido e bem-disposto, depois de encolher os ombros em sinal de desprezo e fechar a porta com brutidão. A casa estava agora entregue ao felino de pêlo malhado, cinzento, mais forte e espesso na cauda. Tinha o chão aos seus pés. Primeiro, espreguiçou-se. Depois bocejou e arqueou a coluna encarquilhada, passadiço locomotivo do tempo. Em contrapartida, sempre teve pernas altas e esguias, como as de um flamingo cor-de-rosa. Em tenra idade, o gato do Zé Manel era acanhado e inseguro. A asma impedia-o de sair vitorioso das caçadas nocturnas no bairro e de inalar com profundidade a brisa fresca e revigorante da manhã. Com a casa vazia, entreteve-se a debulhar uma centopeia, dando-lhe patadas leves e encostando os bigodes às duas antenas, assustando-se e eriçando o pêlo pardo, como faz o leão quando avista um elefante. Mas cansou-se e caiu para o lado como um derrotado de guerra e esticou-se ao comprido na pedra fria. A perna esquerda do animal de pêlo não aguentou o desgaste e caiu por terras de senhora majestade. Esborrachou-se ao comprido e era agora alimento para o quilópode esfomeado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-93346176525309547?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/93346176525309547/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=93346176525309547' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/93346176525309547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/93346176525309547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/09/centopeia-que-comeu-o-gato.html' title='A centopeia que comeu o gato'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-5817027932203474338</id><published>2009-09-23T18:18:00.002+01:00</published><updated>2009-09-23T18:23:34.080+01:00</updated><title type='text'>I ACTO - Amanhã será...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Personagens (Por ordem de entrada em cena)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ELA&lt;br /&gt;ELE&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O HOMEM DOS BOLSOS OCOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No centro da sala, que descai ligeiramente para a direita, está uma mesa quadrada, simples, castanho-âmbar. Não existem quadros pendurados nas paredes, a televisão está ligada à corrente, mas não tem sinal. O rádio está avariado faz meses. Ou então precisa de pilhas. Que importa isso.&lt;br /&gt;Ouve-se uma conversa em sussurro. Iluminação do palco. Amarela-alaranjada. Ela e ele estão de pé, frente-a-frente, no canto direito do palco, ele de costas para o público. Ela chora, quase compulsivamente, embriagada pela dor, contorcendo-se e movendo-se vagarosamente. Dão as mãos e num acto trôpego e cavalgante de ventos vindos do Sul abraçam-se.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELA (acabrunhada)&lt;br /&gt;Amas-me?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;ELE&lt;br /&gt;Já te disse que sim. Tens de parar de perguntar isso. Começa a ser irritante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELA&lt;br /&gt;Sabes, hoje vi o sol nascer por detrás da cómoda que atravanca a porta de dentro do quintal. Quando éramos mais novos, fazíamos sempre isso. Esgueirávamo-nos da atenção dos vizinhos, cobríamo-nos com o lençol velho da Tia Albertina e acompanhávamos o passo lento do Sol, dentro do olhar um do outro. Lembras-te?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELE (desinteressado)&lt;br /&gt;Sim, lembro. Ainda há leite no frigorífico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELA&lt;br /&gt;Acho que sim. Vou ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O telefone de casa começa a tocar. Estridente. Ela sai para comprar leite e ele pega no telefone, mas hesita em puxá-lo ao ouvido. Ao quinto toque, atende.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELE&lt;br /&gt;Estou sim? Sim, muito obrigado. Sim... é o próprio. Não tem problema nenhum, não, não interrompeu o almoço. Sim, já almocei, não se preocupe. Mas diga, diga,...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O HOMEM DOS BOLSOS OCOS&lt;br /&gt;Espero que não me leve mal mas sabe, há tempos pus-me a pensar como será ser-se peludo, mas assim mesmo muito peludo. Essas pessoas, deixadas à sombra de Deus, coitadas, devem suar imenso. Até de noite. Consegue imaginar tanto desconforto? Bem, adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELE&lt;br /&gt;Sim, adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O HOMEM DOS BOLSOS OCOS&lt;br /&gt;Por vezes tenho tendência a falar pelos cotovelos... A minha mãezinha dizia que... raios lá estou eu outra vez! Ora, muito bem, vou directo ao assunto: o senhor é peludo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELE&lt;br /&gt;Mas que raio?! Tenho alguns pêlos, sim. Mas não são muitos. Alguns, mais na zona púbica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O HOMEM DOS BOLSOS OCOS&lt;br /&gt;Tenho a solução ideal para si. Um tratamento 100% natural, pode confiar no que digo, que resolve em apenas, repito, em apenas, duas semanas o problema dos pêlos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELE&lt;br /&gt;De facto, deve ser uma sensação agradável não ter pêlos entranhados na pele. E quanto custa esse tratamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O HOMEM DOS BOLSOS OCOS&lt;br /&gt;Para si, 100 euros certinhos. Que me diz? Aliciado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELE&lt;br /&gt;Bastante. Pago por multibanco ainda hoje, pode ser? Já tenho o NIB anotado, sim, não se preocupe. E quando recebo o produto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O HOMEM DOS BOLSOS OCOS&lt;br /&gt;Amanhã por volta da hora do almoço. Combinado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELE&lt;br /&gt;Tudo certo então. Amanhã será... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-5817027932203474338?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/5817027932203474338/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=5817027932203474338' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5817027932203474338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5817027932203474338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/09/i-acto-amanha-sera.html' title='I ACTO - Amanhã será...'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3074384169935473038</id><published>2009-09-22T15:49:00.003+01:00</published><updated>2009-09-22T15:54:32.157+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sou biólogo e viajo muito pela savana do meu país. Nessas regiões encontro gente que não sabe ler livros. Mas que sabe ler o seu mundo. Nesse universo de outros saberes, sou eu o analfabeto. Não ser ler sinais da terra, das árvores e dos bichos. Não ser ler nuvens, nem o prenúncio das chuvas. Não sei falar com os mortos, perdi contacto com os antepassados que nos concedem o sentido da eternidade. Nessas visitas que faço à savana, vou aprendendo sensibilidades que me ajudam a sair de mim e a afastar-me das minhas certezas. Nesse território, eu não tenho sonhos. Eu sou sonhável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;In&lt;/em&gt; "E se Obama fosse africano? e outras intervenções", de Mia Couto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3074384169935473038?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3074384169935473038/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3074384169935473038' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3074384169935473038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3074384169935473038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/09/sou-biologo-e-viajo-muito-pela-savana.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-7561355047128064687</id><published>2009-09-14T12:30:00.001+01:00</published><updated>2009-09-14T12:30:49.807+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A existência de uma árvore&lt;br /&gt;não pode ser apenas as cerejas&lt;br /&gt;(o espectáculo público do seu fruto)&lt;br /&gt;nem o bicharoco que de noite as ataca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;In&lt;/em&gt; “O Livro dos Mortos”, de Fernando Grade, Edições Mic, 3ª Edição, Abril de 1985&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-7561355047128064687?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/7561355047128064687/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=7561355047128064687' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7561355047128064687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7561355047128064687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/09/existencia-de-uma-arvore-nao-pode-ser.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3532237321173768629</id><published>2009-09-14T12:29:00.000+01:00</published><updated>2009-09-14T12:30:03.058+01:00</updated><title type='text'>O funeral</title><content type='html'>Os sinos da igreja já anunciaram a morte e a música fúnebre embala a marcha lenta das pessoas até ao pequeno espaço cavado na terra.&lt;br /&gt;        O aspecto sombrio da mãe que procura conforto num cobertor de lã enche todos de pesar. Sente-se o peso da perda, a irremediável frustração do homem face à morte, inevitável. Hoje, o funeral veste-se da decadência dos que o assistem sem armas às costas, nem espadas em punho. Pairam nuvens no céu e o vento nem se mexe: o dia envergonhou-se perante tamanha tragédia.&lt;br /&gt;        Num momento de silêncio, ouve-se ao longe o latido de um cão vadio que entra desvairado no cemitério, pulando campas e pisando pretensiosas coroas de flores. O padre, manifestamente irritado com o comportamento do animal, apressa-se a enxotá-lo dali para fora. “Que vergonha”, disse a senhora emproada do chapéu de aba larga. “Alguém que detenha esse arruaceiro” grita o senhor com a bengala ao alto.&lt;br /&gt;        Mas o burburinho que nascia agora entre o grupo fúnebre parecia excitar ainda mais aquela pobre criatura de Deus. Imprevisivelmente, o animal pára junto ao pequeno buraco de terra. Ninguém ousa abrir a boca; nem mesmo o padre. Por momentos, a mãe deixou de saber porque razão está vestida de preto, enrolada num cobertor de lã. Com a língua de fora, o cão ofegante curva as patas traseiras e alivia-se. Ali, mesmo em frente à campa, à mãe e ao padre.         &lt;br /&gt;        Terminado o serviço, o cão sai do cemitério da mesma forma que entrou. “Seu desavergonhado”, gritou o padre. A cerimónia prosseguiu e o bebé foi, por fim, enterrado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3532237321173768629?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3532237321173768629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3532237321173768629' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3532237321173768629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3532237321173768629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/09/o-funeral.html' title='O funeral'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-2476494278901105505</id><published>2009-09-09T12:13:00.005+01:00</published><updated>2009-09-09T19:13:58.437+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não sonho com um mundo onde a religião deixe de ter um lugar, mas sim com um mundo onde a necessidade de espiritualidade esteja dissociada da necessidade de pertença. Um mundo onde o homem, continuando embora ligado às suas crenças, a valores morais eventualmente inspirados num livro sagrado, não sinta mais necessidade de se juntar ao exército dos seus correligionários. Um mundo onde a religião já não serviria de cimento a etnias em guerras. Não basta separar a Igreja do Estado, tão importante como isso seria separar o religioso do identitário. E justamente, se se quiser evitar que esta amálgama continue a alimentar o fanatismo, o terror e as guerras étnicas, será necessário poder satisfazer de outro modo a necessidade de identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;In&lt;/em&gt; "As Identidades Assassinas", de Amin Maalouf&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-2476494278901105505?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/2476494278901105505/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=2476494278901105505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/2476494278901105505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/2476494278901105505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/09/nao-sonho-com-um-mundo-onde-religiao.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3236108402755862208</id><published>2009-08-10T00:48:00.001+01:00</published><updated>2009-08-10T00:48:49.999+01:00</updated><title type='text'>A Cândida e o Luís</title><content type='html'>Quando se achou vento e seguiu, Cândida corou as faces lisas. Há cerca de dois dias, cruzou-se com o Luís na rua. Sorriu-lhe, embaraçada, mesmo tendo os lábios dormentes. “Claro!”, pensou. “Não me viu de certeza...” Quando viu o Luís, Cândida corou com o vento. Sorriu, com os lábios dormentes e “Claro!”, pensou. “Não me viu de certeza...” Quando a Cândida corou de vergonha, sorriu. E o vento levou-a. Coitada. Mesmo à beira do Luís.&lt;br /&gt;O Luís, por outro lado, corou as faces tremidas e baixou a cabeça, embaraçado. “Claro!”, pensou ele. “Não me viu de certeza...”. Cruzaram-se na rua. A Cândida e o Luís. Coraram e sorriram e pensaram “Claro!”, “Não me viu de certeza...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3236108402755862208?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3236108402755862208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3236108402755862208' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3236108402755862208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3236108402755862208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/08/candida-e-o-luis.html' title='A Cândida e o Luís'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8510491602292396817</id><published>2009-07-07T18:31:00.001+01:00</published><updated>2009-07-07T18:33:41.550+01:00</updated><title type='text'>Os dois rapazes</title><content type='html'>Possivelmente um mês antes, dois rapazes do interior tomaram conhecimento de um concurso de talentos a realizar-se na sua cidade natal. A notícia fê-los abraçar-se com ternura. No dia seguinte, ainda de madrugada, apanharam o primeiro comboio com o destino imposto. Depois de uma viagem que durou dias, numa carruagem que não permitia esticar as pernas dado o número de passageiros, os dois rapazes de mochila às costas esgueiraram-se pela porta de saída e vaguearam horas pela cidade encenando capricórnios descomplicados por natureza.&lt;br /&gt;O estômago apertado incitou-os a entrar numa taberna pequena. Os cornos de javali e as cabeças de veado pendurados nas paredes gastas do estabelecimento provocaram-lhes arrepios secos que pioraram quando avistaram o senhor que estava atrás do balcão. Um vulto de pessoa desnorteante, tapada por um avental sujo e uma touca branca, exagerada para a situação. Depois de alguns segundos em silêncio, o irmão mais velho acabou por pedir dois shots de vodka. O senhor de avental acenou positivamente com a cabeça e enquanto enchia os copos gabava-se do facto de muitos terem sucumbido ao poder daquela bebida caseira. Meio aos tombos, tropeçando em pedras e fintando velhotas carregadas de sacos, os irmãos abandonaram aquela taberna inóspita e começaram a correr para a apanhar o eléctrico que passava ao fundo da avenida.&lt;br /&gt;O mais novo olhou para o relógio. Tinham exactamente uma hora para chegar ao local antes que as audições fechassem. Mas no segundo antes do primeiro colocar o pé no degrau do eléctrico, ouviram-se três tiros do outro lado da rua. Todos estagnaram. O condutor, os passageiros, o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8510491602292396817?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8510491602292396817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8510491602292396817' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8510491602292396817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8510491602292396817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/07/os-dois-rapazes.html' title='Os dois rapazes'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-4529770573550565857</id><published>2009-07-07T18:22:00.000+01:00</published><updated>2009-07-07T18:31:22.469+01:00</updated><title type='text'>Sem apregoar nada</title><content type='html'>Tirou os óculos. Desabotoou a camisa.&lt;br /&gt;Descalçou-se e permitiu que as calças caíssem no chão.&lt;br /&gt;Estava agora nu à minha frente,&lt;br /&gt;transparente e aparentemente lúcido.&lt;br /&gt;Repeti para mim mesma que aquilo era apenas&lt;br /&gt;um acto de rebeldia e que não havia razões&lt;br /&gt;para me preocupar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enganei-me.&lt;br /&gt;O rapaz, que entretanto se abraçara a um poste,&lt;br /&gt;despejava conversas sem sentido que&lt;br /&gt;roçavam a loucura.&lt;br /&gt;Queria ser tudo, sem apregoar nada.&lt;br /&gt;Amava tudo ao mesmo tempo que odiava todos.&lt;br /&gt;Repentinamente, a conversa foi interrompida&lt;br /&gt;pelo poste que agora era eu.&lt;br /&gt;Abraçou-me com força e despediu-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4529770573550565857?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4529770573550565857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4529770573550565857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4529770573550565857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4529770573550565857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/07/sem-apregoar-nada.html' title='Sem apregoar nada'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-758192029000207423</id><published>2009-07-07T18:19:00.001+01:00</published><updated>2009-07-07T18:22:23.339+01:00</updated><title type='text'>O melro que abandonou as florestas para se transformar num pássaro citadino</title><content type='html'>No que diz respeito ao planeta, esta invasão do mundo do homem pelo melro é incontestavelmente mais importante do que a invasão da América do Sul pelos Espanhóis ou do que o regresso dos Judeus à Palestina. A modificação das relações entre as diversas espécies da criação (peixes, pássaros, homens, vegetais) é uma modificação de ordem mais elevada do que as mudanças nas relações entre os diferentes grupos de uma espécie. Que a Boémia seja habitada pelos celtas ou pelos Eslavos, a Bessarábia conquistada pelos Romenos ou pelos Russos, à Terra tanto lhe faz. Mas que o melro tenha traído a sua natureza original para seguir o homem no seu universo artificial e contranatura é um facto que já altera alguma coisa quanto à organização do planeta.&lt;br /&gt;No entanto, ninguém ousa interpretar os dois últimos séculos como a história da invasão das cidades do homem pelo melro. Somos todos prisioneiros de uma concepção pré-estabelecida do que é importante e do que não o é, fixamos sobre o que é importante olhares ansiosos, enquanto, furtivamente, nas nossas costas, o insignificante conduz a sua guerrilha, que acabará por alterar subrepticiamente o mundo e atacar-nos de surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;In&lt;/em&gt; O Livro do Riso e do Esquecimento, Milan Kundera&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-758192029000207423?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/758192029000207423/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=758192029000207423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/758192029000207423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/758192029000207423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/07/o-melro-que-abandonou-as-florestas-para.html' title='O melro que abandonou as florestas para se transformar num pássaro citadino'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-5232489257079624732</id><published>2009-07-02T01:46:00.002+01:00</published><updated>2009-07-02T01:48:18.859+01:00</updated><title type='text'>A porta</title><content type='html'>Vi um homem atordoado pelas luzes. Esperneava. Esbracejava. Inclinava a coluna contra o carro para não sentir dor. Só depois percebi que o homem estava direito, sentado em cima do carro. Sóbrio. Olhei para mim e andava à roda no parque da cidade. Via dedos gigantes atravessar pontes de vidro e galinhas feitas pardais anões. &lt;br /&gt;Não! - pensei eu. Levei o dedo indicador à boca e emiti um runhido estranho, a saber a porco.Só depois percebi que estava sentada na cadeira do meu quarto. Com os pés assentes na secretária da minha imaginação que deixou de ser secretária para passar a ser mesa. E depois sofá, seguido de cama e lençol. E quando dei por mim estava transformada em bebida no centro do quarto, prestes a conhecer a vida nos tijolos que me protejem do mau tempo. Da chuva e do vento. E às vezes dos vizinhos. Gosto deles porque me dão de comer. Todos os dias, a vizinha do sexto andar traz-me as sobras do jantar. Às vezes peixe, outras carne. Nunca marisco, a forreta. Ainda assim, cumprimento-a sempre com um sorriso convincente e um forte aperto de mão. Agradeço a refeição e fecho a porta para não ser incomodada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-5232489257079624732?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/5232489257079624732/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=5232489257079624732' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5232489257079624732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5232489257079624732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/07/porta.html' title='A porta'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-9213802117513827564</id><published>2009-07-02T01:28:00.004+01:00</published><updated>2009-07-02T11:21:50.126+01:00</updated><title type='text'>O caixote do lixo</title><content type='html'>Aos homens da minha terra, escrevo e vivo sob a eterna mente de ser, estar, agir. Querer. Vejo crianças que correm para não matar o bicho que vive numa garrafa de plástico meio cheia de coisas, artimanhas. De manhã bem cedo atravesso o rio de botas e cumprimento os caixotes de lixo.&lt;br /&gt;Era uma vez um caixote de lixo meio vazio de coisas, estranhas, dos outros. Deu-me os bons dias e despediu-se com um sorriso envergonhado. À sua frente, não estavam nem cadeiras nem frigoríficos antigos. Nem facas usadas, nem latrinas. O exterior cheirava a rosas (?) e pedia para ser incomodado e abraçado. As rodas traseiras estavam oleadas, frescas como um lírio que tresanda a espirros de outrém bem-vindo.&lt;br /&gt;Embaraçado, o caixote do lixo pediu-me desculpa e fechou a boca. Ficou vazio de palavras, cheio de tesão nas beiças verdes largas. E então envergou-se. Vergou-se. Derreteu e vendeu-se ao chão - miserável o cabrão. Desleixou-se ao cair em si, atirando-se para dentro e não encontrando saída aberta.&lt;br /&gt;A direcção dos caminhos opostos é complicada. Fico desnorteado pela estrada que conduzo e escrevo - eventualmente numa rua envenenada por fora - e decido pôr creme nas costas para acalmar a pele. E no meio disto tudo pergunto-me porque é que sobem montanhas sem pés. Só com braços e pescoço para se inteirarem do que se passa do outro lado da parede crua. Sentem corpos nus a roçar nos cantos frios da sala, gemidos que atormentam o lugar íntimo de uma mulher. Qualquer.&lt;br /&gt;À vida que gira em torno da sedução porque somos todos criaturas sedutoras. Passamos a vida a pedir atenção. Ajoelhamo-nos para que reparem em nós e não conseguimos deixar de rir quando nos respondem finalmente. Eu transpiro sexo. Eu preciso de sexo. Ninguém vive sem SEXO. E quem vive, vive ao lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-9213802117513827564?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/9213802117513827564/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=9213802117513827564' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/9213802117513827564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/9213802117513827564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/07/o-frigorifico-das-vacas-das-coisas.html' title='O caixote do lixo'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-9098562714441068463</id><published>2009-06-16T16:51:00.002+01:00</published><updated>2009-06-16T16:55:50.240+01:00</updated><title type='text'>Boca por turnos</title><content type='html'>Sucar alvitrando o peso dos números em numeração romana, provinciana, sucata de peças esquecidas, desconhecidas por ninguém; alguém que solte cordas de pêlo morto e beba o leite da vaca que pasta no meu campo, aberto a todos mas vazio como a cabeça de um alce cansado dos cornos. Conversa cravada no cravo espinhoso do animal desavergonhado que come pasta amarela para endurecer o pote de verga escura. Folhas brutas ao sol. Pancadaria por um mil folhas. Polícia presa na liberdade dos outros; atropelada pela psicologia das emoções dos transeuntes conscientes da dimensão do céu. Poderei esquecer o rugido que afugenta o espírito e condena os outros a uma fuga impossível, a um espaço pequeno?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-9098562714441068463?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/9098562714441068463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=9098562714441068463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/9098562714441068463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/9098562714441068463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/boca-por-turnos.html' title='Boca por turnos'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1155620097819072040</id><published>2009-06-16T16:15:00.002+01:00</published><updated>2009-06-16T16:21:29.676+01:00</updated><title type='text'>O milionésimo</title><content type='html'>quando virou à esquerda&lt;br /&gt;e entrou na direita&lt;br /&gt;encontrou-se numa colina dura&lt;br /&gt;num riacho curto&lt;br /&gt;numa casa habitada&lt;br /&gt;num anfiteatro ocupado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pede pés suculentos de poeira&lt;br /&gt;narinas sujas de giz&lt;br /&gt;joelhos grossos&lt;br /&gt;que sabe que existem&lt;br /&gt;pela simples existência inerente&lt;br /&gt;pela respiração calma&lt;br /&gt;reflectida&lt;br /&gt;pelo suor que escorre&lt;br /&gt;no corpo feito de tinta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pobre augúrio de cigarras&lt;br /&gt;corrigidas ao som do maestro&lt;br /&gt;como flores de cera quente&lt;br /&gt;enxuvalhadas num copo doce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;altas penedias&lt;br /&gt;baixos abismos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez o milionésimo de segundo&lt;br /&gt;que antecede a morte&lt;br /&gt;seja o único semelhante a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1155620097819072040?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1155620097819072040/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1155620097819072040' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1155620097819072040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1155620097819072040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/assassinio-dos-mortos.html' title='O milionésimo'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-9156313357800386987</id><published>2009-06-16T16:14:00.000+01:00</published><updated>2009-06-16T16:15:25.133+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A caixa de fósforos ergueu-se firme sobre o estrado de madeira e deu à luz milhões de fósforos nus no monte de palha seca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-9156313357800386987?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/9156313357800386987/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=9156313357800386987' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/9156313357800386987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/9156313357800386987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/caixa-de-fosforos-ergueu-se-firme-sobre.html' title=''/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-6393639712402732511</id><published>2009-06-15T17:31:00.004+01:00</published><updated>2009-06-15T19:05:36.252+01:00</updated><title type='text'>Vasquinho à janela (continuação)</title><content type='html'>Quando o senhor de camisa acertada acenou, o Vasquinho assustou-se e esgueirou-se para debaixo da cama. Questionava-se porque estaria um senhor de camisa lisa, sentado num cadeira suspensa no nada, mesmo em frente à sua janela. Isto porque sempre que pergunta à mãe - "e hoje já posso voar?", acaba por se resignar à sua condição demente e acaba o dia deitado de pernas para o ar a olhar para o tecto. E, agora, mesmo em frente à janela do seu quarto, está um senhor com sobrancelhas farfalhudas, a pedir solenemente para falar com ele.&lt;br /&gt;- "Talvez só quer bricar comigo", pensou o Vasquinho. E assim saiu devagar do esconderijo forçado e aproximou-se da janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora viva, meu bom rapaz!&lt;br /&gt;- Olá!&lt;br /&gt;- Sabes o que é que acontece quando pensamos muito numa coisa?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Nada.&lt;br /&gt;- Mas afinal quem é o senhor?&lt;br /&gt;- Eu sou o Vasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Vasquinho não conseguiu esconder a contentação por saber que o senhor tinha o mesmo nome que o seu e deu pulos de alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Temos o mesmo nome!&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;- Como é que sabe?&lt;br /&gt;- Eu sou tu.&lt;br /&gt;- Eu? Tu? Quem? Eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gritos da mãe ouviram-se em todos os cantos da casa. Parecia zangada porque a loiça suja do almoço continuava por lavar. Resignado, o rapaz despediu-se do Vasco e fechou a janela.&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-6393639712402732511?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/6393639712402732511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=6393639712402732511' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6393639712402732511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6393639712402732511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/vasquinho-janela-continuacao.html' title='Vasquinho à janela (continuação)'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3466389616535213279</id><published>2009-06-15T17:08:00.001+01:00</published><updated>2009-06-16T16:59:13.251+01:00</updated><title type='text'>Camponeses ao sol</title><content type='html'>O sobral do antigo testamento está agora entregue a criaturas esquivas armadas em fogo quente. E pelos planos vazios de púcaros sóbrios encantam os que não temem o nada. Pudera eu sentir-me completamente só e comer carcaças de pão duro na madrugada de um dia cinzento.&lt;br /&gt;Aos fósforos apeteceu-lhes mergulhar na noite bela e ser pombas para rasgar o céu laranja e ouvir a ovação estridente dos camponeses que, lá em baixo, beijam campos de trigo verde. Não. Não há nada mais bonito do que um campo de trigo verde amado por camponeses queimados. Pudera eu ser terra fértil e húmida só para ver os seus rostos felizes.&lt;br /&gt;Nascem em mim camponeses de corpo feito e de malas às costas. Coitados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3466389616535213279?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3466389616535213279/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3466389616535213279' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3466389616535213279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3466389616535213279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/camponeses-ao-sol.html' title='Camponeses ao sol'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8940142967692639804</id><published>2009-06-08T14:41:00.001+01:00</published><updated>2009-09-14T12:34:02.695+01:00</updated><title type='text'>Vasquinho à janela</title><content type='html'>Sempre que perguntam ao Vasquinho porque não gosta de estar à janela, as suas bochechas ficam tão vermelhas e as pernas tão bambas que acaba por se derreter e entranhar nas frexas da memória daqueles que lhe fazem a pergunta.&lt;br /&gt;A história começa quando tinha quatro anos de idade. A mãe sempre o precaviu dos perigos associados às janelas mas o Vasquinho, que sempre foi um miúdo do contra, desvalorizou os avisos maternais e empoleirou-se. E o que viu foi aterrorizador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8940142967692639804?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8940142967692639804/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8940142967692639804' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8940142967692639804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8940142967692639804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/vasquinho-janela.html' title='Vasquinho à janela'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-869272323214724756</id><published>2009-06-08T13:55:00.006+01:00</published><updated>2009-06-08T14:08:41.496+01:00</updated><title type='text'>Estrada das papoilas rubras</title><content type='html'>Quando o sol está baixo, o soldadinho de chumbo - o Vasquinho - atravessa o rio descalço para procurar bivalves escondidos atrás das rochas. Às vezes encontra mesmo maços de espermatozóides absurdamente grandes, gigantes, que estorvam o caminho às sardinhas. Dão todos as mãos em tom de perdão por sentirem o ar roçar nas pernas do Vasquinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Atirem-no da ponte rápido. Eles estão a chegar - gritam exaltados.&lt;br /&gt;- Estou perdido! - desabafa a vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedem-lhe para repetir a estrofe vazia que disse há instantes. Recusa e enumera temas de conteúdos chatos, espalmados, chapados pelas mãos duras do Vasquinho.&lt;br /&gt;Ó Vasquinho!!!&lt;br /&gt;Ó Vasquinho!!!&lt;br /&gt;Encosta-te à proa do barco e descansa. Desiste. Bebe à saúde do teu estômago que está vazio e embebeda-te. O álcool aninha-se no interior e combina o movimento circular com a cabine do senhor que vende robalos ao virar da esquina.&lt;br /&gt;Decidem deixar o Vasquinho no meio de uma estrada sem início coberta por papoilas&lt;br /&gt;rubras e girassóis.&lt;br /&gt;Sozinho, o Vasquinho ficou a chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o camionista estendeu a mão para auxiliar o menino caído no chão, pensou duas vezes e hesitou. "Quem sou eu senão um monte de conselhos desapropriados à ocasião criada exclusivamente por mim?"&lt;br /&gt;Então aí acobardou-se e virou costas. Inclinou ainda a cabeça para ver o que se passava atrás de si mas o homem continuava preso ao chão. Deu mais dois passos e parou novamente. Decide olhar mais uma vez e os olhos enchem-se de lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Precisa de ajuda? - disse-lhe estendendo-lhe ingenuamente a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou a dormir. Deixe-me em paz! - responde rabugento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora bolas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-869272323214724756?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/869272323214724756/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=869272323214724756' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/869272323214724756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/869272323214724756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/estrada-das-papoilas-rubras.html' title='Estrada das papoilas rubras'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-5427815641975126582</id><published>2009-06-06T13:00:00.005+01:00</published><updated>2009-06-07T10:59:17.449+01:00</updated><title type='text'>Mar de cinzas</title><content type='html'>Quero ser tua,&lt;br /&gt;ó mar ressurgido das cinzas.&lt;br /&gt;Revoltado.&lt;br /&gt;Quebrado tormento a que me entrego,&lt;br /&gt;naturalmente nua.&lt;br /&gt;Um mar assimilado por substâncias ilegais&lt;br /&gt;que atingem a ebulição&lt;br /&gt;encarnada por ti.&lt;br /&gt;Um mar que liberta gazes desnudados&lt;br /&gt;que detonam o risco branco no monte de cinzas.&lt;br /&gt;Revoltado.&lt;br /&gt;Quebrado pelo vento, ar e céu.&lt;br /&gt;Ó mar ingénuo, arrogante,&lt;br /&gt;Por vezes impiedoso.&lt;br /&gt;Revolto-me contra ti.&lt;br /&gt;Sopro-te o sal que te dá firmeza&lt;br /&gt;E alimento-me dos peixes por ti nascidos&lt;br /&gt;Navios naufragados e almas perdidas.&lt;br /&gt;Ó mar bravo,&lt;br /&gt;quando deixares de querer ser escada,&lt;br /&gt;e invocares-me como tua pertença,&lt;br /&gt;dá-me voz e serei tua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-5427815641975126582?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/5427815641975126582/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=5427815641975126582' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5427815641975126582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/5427815641975126582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/mar-de-cinzas.html' title='Mar de cinzas'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-6673747855570932091</id><published>2009-06-06T12:45:00.001+01:00</published><updated>2009-06-06T13:15:14.204+01:00</updated><title type='text'>Langonha</title><content type='html'>- Por favor... &lt;br /&gt;- Enquanto não aprenderes a usar o papel higiénico não vais.&lt;br /&gt;- Vá lá...&lt;br /&gt;- Não repito mais vez nenhuma. Porcalhão!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-6673747855570932091?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/6673747855570932091/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=6673747855570932091' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6673747855570932091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6673747855570932091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/langonha.html' title='Langonha'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1639517250179322213</id><published>2009-06-03T15:23:00.003+01:00</published><updated>2009-06-03T15:51:41.290+01:00</updated><title type='text'>Estatuto do vinho</title><content type='html'>&lt;em&gt;de Pablo Neruda&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando em regiões, quando em sacrifícios&lt;br /&gt;manchas sanguíneas como chuvas caem,&lt;br /&gt;o vinho abre as portas com assombro,&lt;br /&gt;e no refúgio dos meses vai voando&lt;br /&gt;seu corpo de empapadas asas rubras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pés roçam nas telhas, nas paredes&lt;br /&gt;com humidade de línguas submergidas,&lt;br /&gt;e sobre o fio do dia desnudado&lt;br /&gt;caem em gotas as suas abelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que o vinho não deserta aos gritos&lt;br /&gt;quando chega o inverno,&lt;br /&gt;nem se esconde em igrejas tenebrosas,&lt;br /&gt;buscando o fogo em panos despenhados,&lt;br /&gt;mas voa, sim, sobre a estação,&lt;br /&gt;sobre o inverno que chegou agora&lt;br /&gt;com um punhal entre os cílios duros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vejo vagos sonhos,&lt;br /&gt;eu enxergo longe,&lt;br /&gt;e olho à minha frente, além dos vidros,&lt;br /&gt;reuniões de roupas infelizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A elas a bala do vinho não chega,&lt;br /&gt;a papoila eficaz, o raio rubro&lt;br /&gt;morrem afogados em tristes tecidos,&lt;br /&gt;e derrama-se por canais solitários,&lt;br /&gt;por húmidas ruas, em rios sem nome,&lt;br /&gt;o vinho amargamente submergido,&lt;br /&gt;o vinho cego e solitário e só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou de pé na sua espuma e nas suas raízes,&lt;br /&gt;choro na sua folhagem, nos seus mortos,&lt;br /&gt;acompanhado de alfaiates caídos&lt;br /&gt;no meio do inverno desonrado,&lt;br /&gt;subo por escadas de humidade e sangue&lt;br /&gt;tacteando as paredes,&lt;br /&gt;e na agonia do tempo que chega&lt;br /&gt;sobre uma pedra eu ajoelho e choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para túneis agrestes me encaminho&lt;br /&gt;de metais transitórios revestido,&lt;br /&gt;para adegas vazias, para sonhos,&lt;br /&gt;para betumes verdes que palpitam,&lt;br /&gt;para ferrarias desinteressadas,&lt;br /&gt;para sabores de lodo e de garganta,&lt;br /&gt;para imperecíveis borboletas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então surgem os homens do vinho&lt;br /&gt;vestidos com vermelhos cinturões&lt;br /&gt;e chapéus de abelhas derrotadas,&lt;br /&gt;e trazem taças cheias de olhos mortos,&lt;br /&gt;e terríveis espadas de salmoira,&lt;br /&gt;e com roucas buzinas se respondem&lt;br /&gt;cantando cantos de intenção nupcial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gosto do canto rouco dos homens do vinho,&lt;br /&gt;e do ruído de molhadas moedas sobre a mesa,&lt;br /&gt;e do cheiro de sapatos e uvas,&lt;br /&gt;e de vómitos verdes:&lt;br /&gt;gosto do canto cego desses homens,&lt;br /&gt;e do som de sal que martela&lt;br /&gt;as paredes da aurora moribunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo de coisas que existem. Deus me livre&lt;br /&gt;de inventar coisas quando canto!&lt;br /&gt;Falo da saliva derramada nas paredes,&lt;br /&gt;falo de lentas meias de rameira,&lt;br /&gt;falo do coro dos homens do vinho&lt;br /&gt;batendo no caixão com um osso de pássaro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou no meio desse canto, no meio&lt;br /&gt;do inverno que rola pelas ruas,&lt;br /&gt;estou no meio dos bebedores,&lt;br /&gt;com os olhos abertos para esquecidos lugares,&lt;br /&gt;ou recordando um deliberante luto,&lt;br /&gt;ou dormindo em cinzas já por terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordando noites, navios, sementeiras,&lt;br /&gt;amigos falecidos, circunstâncias,&lt;br /&gt;amargos hospitais e meninas que florescem,&lt;br /&gt;recordando um bater de onda em certa rocha&lt;br /&gt;com um adorno de farinha e espuma,&lt;br /&gt;e a vida que se faz em certos países,&lt;br /&gt;em certas costas solitárias,&lt;br /&gt;um ecoar de estrelas nas palmeiras,&lt;br /&gt;um bater do coração nos vidros,&lt;br /&gt;um comboio negro que passa com rodas malditas&lt;br /&gt;e muitas coisas tristes deste género.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À humidade do vinho, nas manhãs,&lt;br /&gt;nas paredes amiúde mordidas pelos dias de inverno&lt;br /&gt;que tombam em adegas por certo solitárias,&lt;br /&gt;a essa virtude do vinho chegam lutas,&lt;br /&gt;e cansados metais e surdas dentaduras,&lt;br /&gt;e há um tumulto de objecções destroçadas,&lt;br /&gt;há um furioso pranto de garrafas e&lt;br /&gt;e um crime, como um chicote caído,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vinho crava os seus espinhos negros,&lt;br /&gt;e os ouriços lúgubres passeia&lt;br /&gt;entre navalhas, entre meias-noites,&lt;br /&gt;entre roucas gargantas arrastadas,&lt;br /&gt;entre charutos e torcidos cabelos,&lt;br /&gt;e como onda do mar a sua voz aumenta&lt;br /&gt;uivando pranto e dedos de cadáver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então corre o vinho perseguido&lt;br /&gt;e os obstinados odres se desfazem&lt;br /&gt;contra as ferraduras, e vai o vinho em silêncio,&lt;br /&gt;e os tóneis, em feridos barcos onde o vento morde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rostos, tripulações de silêncio,&lt;br /&gt;e o vinho foge pelas estradas,&lt;br /&gt;pelas igrejas, por entre os carvões&lt;br /&gt;deixa cair as plumas do amaranto,&lt;br /&gt;e disfarça-se de enxofre a sua boca,&lt;br /&gt;e o vinho ardendo entre ruas gastas&lt;br /&gt;à procura de poços, de túneis e formigas,&lt;br /&gt;bocas de tristes mortos,&lt;br /&gt;por onde alcançar o azul da terra&lt;br /&gt;onde se confudem a chuva e os ausentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1639517250179322213?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1639517250179322213/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1639517250179322213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1639517250179322213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1639517250179322213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/estatuto-do-vinho.html' title='Estatuto do vinho'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-6751375764762160414</id><published>2009-06-03T15:03:00.001+01:00</published><updated>2009-06-08T14:10:08.435+01:00</updated><title type='text'>O estendal do Lino</title><content type='html'>Estão estendidas cuecas velhas&lt;br /&gt;no estendal do Lino.&lt;br /&gt;O algodão seco nas costuras,&lt;br /&gt;E a cor deslavada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz a vizinha gaiteira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então oh Lino quando é que compras umas cuecas novas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há anos que o Lino não compra umas cuecas novas.&lt;br /&gt;Diz que a vida está cara e&lt;br /&gt;que não pode dar-se a grandes luxos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então conta o velho resmungão à gaiteira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escondi o dinheiro para não o gastar e acabei por comê-lo! Não tenho como comprar cuecas novas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas como é que essa tragédia foi acontecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois de um longa reflexão decidi guardar as poupanças na panela. Nisto a esposa vai a fazer uma canja...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a sopa, estava boa ao menos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca o velho tinha comido uma canja tão saborosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-6751375764762160414?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/6751375764762160414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=6751375764762160414' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6751375764762160414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6751375764762160414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/o-estendal-do-lino_03.html' title='O estendal do Lino'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-4955941540535202692</id><published>2009-06-03T15:01:00.001+01:00</published><updated>2009-06-03T15:03:21.319+01:00</updated><title type='text'>Comunicado Urgente (03/06/2009)</title><content type='html'>Comissão para o Estudo e Revisão da Qualidade das Águas Fluviais&lt;br /&gt;Circular Informativa&lt;br /&gt;N.º 029/CA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assunto:&lt;br /&gt;Recolha voluntária dos lotes n.º 651K01; 652 K01; 653K01;654K01; 655K01; 655K01; 656K01; 657K01; 658K01; 659K01;660K01; 661K01; 662K01, val: 05/2000 do esgoto aberto ao rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para: Divulgação Geral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contacto na Comissão para o Estudo e Revisão da Qualidade das Águas Fluviais: Dr. Fernando Garcia – Departamento de Inspecção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Urgente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comunica-se que a ratazana, em virtude de ter detectado um processo de exsudação de água, a partir de um composto gasoso, em alguns pacotes pertencentes à campanha de produção dos lotes, está a proceder à recolha voluntária dos lotes n.º 641K81; 652 K02; 653K01; 654K01; 655K01;655K01; 656K01; 657K01; 658K01; 659K01; 630K01; 661K01;662K01, val: 05/2000, do composto gasoso, pelo queo Conselho de Administração da CERQAF ordena a suspensão imediata da sua circulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os melhores cumprimentos,&lt;br /&gt;O Conselho de Administração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Cristina Rodrigues&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-4955941540535202692?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/4955941540535202692/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=4955941540535202692' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4955941540535202692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/4955941540535202692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/comunicado-urgente-03062009.html' title='Comunicado Urgente (03/06/2009)'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1231636984427138018</id><published>2009-06-03T14:22:00.001+01:00</published><updated>2009-06-06T13:29:14.793+01:00</updated><title type='text'>A condição</title><content type='html'>Ó seu vácuo velhaco&lt;br /&gt;filho de uma figa pêga&lt;br /&gt;(pêga de prostituta, sim!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem te mandou andar nu pela rua?&lt;br /&gt;Agora tens as pernas a sangrar&lt;br /&gt;e um bolbo gigante a sair-te pelo olho.&lt;br /&gt;Já te tinha avisado que o chão&lt;br /&gt;podia sair de si e que podias ficar suspenso nos pés.&lt;br /&gt;Também te disse que&lt;br /&gt;micose gera micose.&lt;br /&gt;E agora tens os pés infectados.&lt;br /&gt;Foste estúpido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1231636984427138018?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1231636984427138018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1231636984427138018' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1231636984427138018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1231636984427138018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/condicao.html' title='A condição'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-7784916159606912723</id><published>2009-06-03T14:05:00.002+01:00</published><updated>2009-06-06T13:28:51.182+01:00</updated><title type='text'>(silêncio)</title><content type='html'>Será errado espreitarmos&lt;br /&gt;pela fechadura do outro&lt;br /&gt;quando sabemos que ele não se importa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho errado quando espreitam&lt;br /&gt;pela fechadura do outro e não dizem nada.&lt;br /&gt;Encostados à porta estagnados&lt;br /&gt;os cabrões ali ficam parados&lt;br /&gt;sem fazer barulho.&lt;br /&gt;Eu gosto do barulho.&lt;br /&gt;Não tenho vergonha. Admito.&lt;br /&gt;Houvessem muitos que sentissem vergonha&lt;br /&gt;por muito menos.&lt;br /&gt;Falo daqueles que fazem o mal disfarçado de bem&lt;br /&gt;e mantêm-se quietos na sombra da maldade.&lt;br /&gt;Porque o silêncio pode ser fatal&lt;br /&gt;para o comum ouvido&lt;br /&gt;e que eu saiba ninguém deseja mal à sua audição.&lt;br /&gt;Dizem que gostam de ouvir mas o que fazem mesmo bem é falar sem interrupções.&lt;br /&gt;Chatos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-7784916159606912723?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/7784916159606912723/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=7784916159606912723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7784916159606912723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7784916159606912723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/06/barulho.html' title='(silêncio)'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8854243359645315535</id><published>2009-05-29T10:55:00.004+01:00</published><updated>2009-05-29T11:21:29.761+01:00</updated><title type='text'>Vinho dos vivos</title><content type='html'>Quem disse isso só pode ser estúpido. Ou ignorante.&lt;br /&gt;Porque quando contraímos o espírito do outro&lt;br /&gt;somos invadidos por uma atitude laxante de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o que quer isto dizer?&lt;br /&gt;Depende. Tudo depende de alguém&lt;br /&gt;ou de alguma coisa&lt;br /&gt;ou então de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o Destino continua &lt;em&gt;a conduzir &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a carroça de tudo pela estrada de nada&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8854243359645315535?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8854243359645315535/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8854243359645315535' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8854243359645315535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8854243359645315535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/vinho-dos-vivos.html' title='Vinho dos vivos'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-7571428785773072945</id><published>2009-05-29T10:05:00.004+01:00</published><updated>2009-06-01T12:38:56.131+01:00</updated><title type='text'>O espelho</title><content type='html'>Há muito, muito tempo atrás, existiu uma menina que não resistia a uma boa colheita de cerejas. Na aldeia, era conhecida pela rapariga das favolas roxas dado o tom violáceo dos seus dentes aguçados e proeminentes.&lt;br /&gt;Todos os dias colocava uma máscara para não ser vista. Tinha medo do que os outros meninos poderiam pensar. Mas os seus olhos brilharam quando ouviu falar de um espelho invulgar. Na terra, os aldeões sussurravam baixinho que o mago havia fabricado um espelho fantástico capaz de oferecer a beleza eterna à mulher mais vulgar.&lt;br /&gt;Os pais, que eram de famílias abastadas, não resistiram ao pedido insistente da filha. Durante dias a fio, pressionaram o mago da aldeia a vender-lhes o bem desejado por todos. A princípio, o velho mostrou-se hesitante mas logo caiu nas graças da exorbitante quantia oferecida pelos progenitores da menina.&lt;br /&gt;Desde tenra idade, a rapariga chamada Teresa entregou-se ao prazer da sua imagem reflectida naquele objecto perveso. Ao deitar, acariciava as madeixas do cabelo castanho ao redor da cara, aperfeiçoava a posição dos lábios em todos os ângulos, esticava e repuxava a pele enrrugada até adormecer em frente ao espelho.&lt;br /&gt;Na juventude, os vestidos arrojados, colados à curvatura das ancas, provocavam arrepios às senhoras esposas e o delineador rouje que usava nos lábios assaltava o íntimo masculino, fazendo lembrar o suco de uma maça vermelha a escorregar pelos seus mamilos duros e proeminentes.&lt;br /&gt;Apenas um homem teve o prazer de a possuir. E apesar de ser invejado por todos aqueles que conheciam a mulher, escondeu sempre que o sexo foi deplorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passava da hora de jantar quando abriu a porta entreaberta da casa da mulher. - "Desço já", gritou lá de cima. Sentou-se no sofá da sala, embalado por um jazz suave que passava no gira-discos antigo. Passado algum tempo, a mulher desceu finalmente as escadas e convidou-o a tomar um martini seco.&lt;br /&gt;O homem tentava a custo disfarçar o seu nervosismo. O suor das mãos impedia que segurasse o copo com firmeza, contava piadas despropositadas e descontextualizadas e, de vez em vez, emitia uns grunhidos estranhos sempre que Teresa fazia algum comentário.&lt;br /&gt;Depois de uma refeição passada em silêncio, a mulher pegou-lhe na mão e dirigiu-o pelas escadas até ao quarto. Estagnados em frente à cama, Teresa estendeu o braço para que o outro o beijasse enquanto acariciava o seio já a descoberto. As carícias envolventes daquele homem começavam a surtir efeito. Tinha o sexo molhado. Atirou-o com força para a cama e pôs-se em cima dele.&lt;br /&gt;Fazia amor consigo não com ele. Os espelhos colocados estrategicamente ordenavam-lhe a entrega total a si mesma. Torneava a pernas com paixão e enrolava expressões de prazer no sexo do parceiro. Mas os gemidos da mulher começavam a parecer assustadores, pronunciava palavras estranhas despojadas de sentido. O sexo começava a parecer ridículo e a excitação deu lugar ao medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-7571428785773072945?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/7571428785773072945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=7571428785773072945' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7571428785773072945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7571428785773072945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/o-espelho.html' title='O espelho'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-1208681157119808047</id><published>2009-05-22T13:36:00.003+01:00</published><updated>2009-05-25T11:45:49.929+01:00</updated><title type='text'>As cartas</title><content type='html'>Tiro a carta e rasgo o envelope amarelo. Pergunta-me se estou bem depois de tudo o que se passou. Abano a cabeça dizendo que sim. Deseja-me as melhoras e implora para lhe escrever de volta. Diz também que aquilo foi um enorme equívoco na sua existência e que se perdeu. "Acho que me perdi para o resto dos dias. O mundo é difícil. Devia escrever também..." desabafou o rapaz de baixo.&lt;br /&gt;Todos os dias me interrogo sobre o rapaz esquisito. Todos os dias, toca à minha campainha e deixa-me um tapete de boas-vindas diferente. Nas cartas diz que é tapeceiro e que fazer tapetes é para ele uma arte desaproveitada.&lt;br /&gt;Apesar disso, nunca o vi. Mas imagino um rapaz magricela e peganhento porque a porta da entrada está sempre cheia de dedadas oleosas e bafos húmidos.&lt;br /&gt;Bem. Levanto-me e atiro a carta para o molhe de tantas outras esquecidas na minha secretária. Começo a ficar sem espaço no escritório. Há vários anos que encaixoto cartas em caixas de papelão azuis. Escondo-as por toda a casa: debaixo do lava-loiça, na escrivaninha da sala, no roupeiro do quarto de hóspedes.&lt;br /&gt;Durante estes anos nunca lhe respondi de volta. Nao gosto de escrever. Mas também não sou capaz de deitar as cartas fora. Acho que seria bastante imprudente da minha parte e além disso gosto das caixas de papelão azuis. Alegram a casa.&lt;br /&gt;O toque da campainha apanha-me de surpresa e deixo cair a chávena de chá no chão. Vou a correr para a porta na expectativa de o ver finalmente. Mas nada. Quando abro a porta, sinto apenas o cheiro de um perfume barato e mais um tapete novo todo em azul que me agradou.&lt;br /&gt;Passaram-se vários dias e continuava sem o conhecer. E essa angústia começava a parecer amor. Deixei de sair de casa só para poder sentir o seu perfume uns míseros instantes. Ansiava ouvir o toque fugaz da campainha. Desejava abraçá-lo e beijá-lo.&lt;br /&gt;No outro dia, tive de sair para tratar de uns assuntos. Quando cheguei o tapete continuava igual ao do dia anterior e não havia nenhuma carta no hall de entrada. Passou-se um dia, e depois outro. O rapaz de baixo desaparecera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-1208681157119808047?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/1208681157119808047/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=1208681157119808047' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1208681157119808047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/1208681157119808047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/as-cartas.html' title='As cartas'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-7073751646548273986</id><published>2009-05-21T22:05:00.005+01:00</published><updated>2009-05-22T13:41:55.690+01:00</updated><title type='text'>Dá-me o vinho, já disse</title><content type='html'>Mete um pé,&lt;br /&gt;depois o outro,&lt;br /&gt;no alto da cabeça&lt;br /&gt;para que o cérebro&lt;br /&gt;quente arrefeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá está ele emborrachado&lt;br /&gt;naquele tascão desgraçado&lt;br /&gt;por actividades marginais&lt;br /&gt;que preocupam os que não saem do cais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei! Quem pensas que és?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cala a boca! Aqui não vales o caralho que te chega aos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou com sede. Dá-me o vinho, já disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembram-lhe que a vida é uma treta.&lt;br /&gt;Careta. Que não tem amigos.&lt;br /&gt;Que a morte se aproxima&lt;br /&gt;com o escorrer da lava quente&lt;br /&gt;na veia grossa, ardente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem-lhe para não sair do sistema.&lt;br /&gt;"Tens que andar, rodar,&lt;br /&gt;girar, voltar, girar,&lt;br /&gt;rodar e andar.&lt;br /&gt;Não te queixes porque há muitos peixes&lt;br /&gt;como tu, entregues a fracos feixes de luz".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malditos os que dão os cus&lt;br /&gt;que andam vaidosos&lt;br /&gt;na roda que gira, volta&lt;br /&gt;e distorce a mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dá-me o vinho! - repetiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-7073751646548273986?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/7073751646548273986/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=7073751646548273986' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7073751646548273986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7073751646548273986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/da-me-o-vinho-ja-disse.html' title='Dá-me o vinho, já disse'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-541300330764792311</id><published>2009-05-21T21:15:00.001+01:00</published><updated>2009-05-21T21:17:08.402+01:00</updated><title type='text'>O lixo do vizinho</title><content type='html'>O ribeiro de lava preta provocou uma fuga de gás atrás do arbusto saliente e deu-se uma explosão (conta-se que foi ouvida nos quatro cantos do mundo...)&lt;br /&gt;O fogo ardeu e queimou as raízes da Mãe. A água extinguiu-se ao longo do tempo, bem como outras espécies vivas. Desavergonhados aqueles que se aproveitaram delas, de ti e de mim. Gostava de voltar ao que era. Ao céu azul, ao sol quente, à erva fresca que limpa os recantos puros do subconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Moras onde? - perguntou-lhe, atrevido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em lado nenhum. O mundo é a minha casa - disse-lhe, rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sozinho? Caramba!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não te iludas, parceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porquê?! Sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ouvi dizer que morreste...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que estou vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E continuas a comer o lixo dos teus vizinhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora essa. Por quem me tomas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-541300330764792311?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/541300330764792311/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=541300330764792311' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/541300330764792311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/541300330764792311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/o-lixo-do-vizinho.html' title='O lixo do vizinho'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3567939885677457834</id><published>2009-05-19T15:33:00.002+01:00</published><updated>2009-05-19T15:38:10.051+01:00</updated><title type='text'>Traças</title><content type='html'>(Ao final da noite na garagem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário – Mas existe um bicho do papel... Uma coisinha pequenina.&lt;br /&gt;David - Opaaaah...&lt;br /&gt;Mário - Assim com bueda patinhas. Ah... as traças?&lt;br /&gt;David - Ainn caraças! Tu hoje não serves mesmo para nada. Mário afasta-te desta conversa...&lt;br /&gt;Gordo - Mas quais traças Mário!&lt;br /&gt;Mário - São traças. São bichos com bueda patinhas, tipooo prateados.&lt;br /&gt;Gordo - Pá há tempos estava a falar com uma gaja sobre tatuagem bueda burra. Sabem aquela cena da Prova do Tubo. "Qual é... Como é que se chama a profissão dos gajos..."&lt;br /&gt;David - Astronauta.&lt;br /&gt;Gordo - Ya. Não, isso é o que ela diz. "Como é que se chamam as cavidades órbitas ou qual é o órgão que está na cavidade" e ela diz astronauta... (RISOS) Tive uma cena assim com uma chavala lá na loja. O que é que foi? Não me lembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(SILÊNCIO)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário - (que entretanto desenhou o bicho num papel) São estes bichos assim prateados? Estes são a traça do papel.&lt;br /&gt;David - Ya é tipo isso.&lt;br /&gt;Mário - Pois, são as traças de papel!&lt;br /&gt;Gordo - (a bocejar) É o bicho do papel.&lt;br /&gt;Mário - Eu tenho o armazém cheio dessa merda.&lt;br /&gt;Gordo - Ya mas isso são os teus pais que chamam a isso a traça do papel.&lt;br /&gt;Mário - Mas são mesmo traças...&lt;br /&gt;Gordo - Á tráçáaa....&lt;br /&gt;Mário - Às vezes também estão na roupa.&lt;br /&gt;Gordo - Isso são traças. Tenho bué em casa. Não sei porquê mas sempre que as vejo é na casa de banho. A minha mãe tem para lá a caixa de cartão do Skip e o papel higiénico. Mais nada!&lt;br /&gt;Mário - Na loja não há traças?&lt;br /&gt;Gordo - Na loja há algumas.&lt;br /&gt;Mário - Eu encontro-as sempre nos livros.&lt;br /&gt;Gordo - (a cantar) Hoje à noiteee.... vou ficar! Em casaaaaa... Ficar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3567939885677457834?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3567939885677457834/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3567939885677457834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3567939885677457834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3567939885677457834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/ao-final-da-noite-na-garagem-mario-mas.html' title='Traças'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-6919428056250599386</id><published>2009-05-19T14:58:00.005+01:00</published><updated>2009-05-19T15:32:43.544+01:00</updated><title type='text'>Dedo pedinte</title><content type='html'>O desejo de pôr o dedo no ar para falar diante dos outros por intermédio do pensamento carrega em si mesmo o significado do escroto decrépito que nos faz rir. O dedo é pedinte quando pede o ar que respira só para si. A partilha aqui torna-se nula por contraste à imensidão do dar moedas cunhadas a mulas do campo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O dedo pedinte é um animal de hábitos incontrolados e mal-vistos pelos que estão de fora. A criação de rotinas desprovidas de sentido complica a compreensão do comum mortal; as velas que ardem ocupam-lhe o espaço livre do pensamento de fumo (que não interessa a ninguém), vertem cera para dentro das narinas hostis. Tudo pela guerra do petróleo. Vadia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O dedo pedinte tem a unha torta e balanceia-se hirtamente no ar imprevisível. Invisível. Comestível. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os dedos pedintes que arrancam os dentes à dentada não podem nunca ser submetidos a cirúrgias invasivas. Lascivas. Sensitivas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;- Posso fazer uma pergunta? - pondo de imediato o dedo no ar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Força - diz-lhe o outro, atrás da árvore.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- O que são caixas vazias?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Ninguém sabe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337541178312814498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/ShLBbBNa76I/AAAAAAAAACU/Cu25OdOXJJk/s320/dedo.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ilustração por Gordo&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-6919428056250599386?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/6919428056250599386/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=6919428056250599386' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6919428056250599386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/6919428056250599386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/dedo-pedinte.html' title='Dedo pedinte'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/ShLBbBNa76I/AAAAAAAAACU/Cu25OdOXJJk/s72-c/dedo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-769404098005860433</id><published>2009-05-19T13:48:00.004+01:00</published><updated>2009-05-19T14:30:47.982+01:00</updated><title type='text'>A cadeira em que me sento</title><content type='html'>A cadeira em que me sento levanta-se a olhos vistos. Entorto o pescoço para a cabeça não furar o tecto; o coração vive em permanente estado cardíaco; o cérebro funciona como zona de cargas e descargas a céu aberto.&lt;br /&gt;Porque deitamos nós olhares esquivos à população? Acreditar que somos opacos na nossa essência. Que não nos deixamos ver sem que nos esforcemos por isso. (Quem diz que os olhos são o espelho da alma engana-se.) Somos todos peças construídas ao acaso, propositadamente, por nós próprios ao longo da vida. Até que o luar caia sobre as nossas vidas, vamos construindo pessoas em nós mesmos; damos-lhes corpo, voz, suor, movimento, fezes, choro e riso. Podemos ser o que quisermos, mesmo que às vezes não nos tornemos. Podemos ser tudo e todos, e chão e terra e ar (conheci um rapaz que queria ser pedra). A transição do bem realizável é extensa e complexa como quando tentamos abrir os olhos depois de levar um soco.&lt;br /&gt;Na cadeira em que eu me sento...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-769404098005860433?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/769404098005860433/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=769404098005860433' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/769404098005860433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/769404098005860433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/cadeira-em-que-me-sento.html' title='A cadeira em que me sento'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-3949373899932615690</id><published>2009-05-19T11:24:00.001+01:00</published><updated>2009-05-19T11:25:44.305+01:00</updated><title type='text'>Comunidade 1964 (extracto)</title><content type='html'>&lt;em&gt;A promiscuidade: eu gosto. Porque me cheira a calor humano, me sobe em gosto de carne à boca, rne penetra e tranquiliza, me lembra - e por que não ?! - coisas muito importantes (para mim, libertino se o permitem) como mamas, barrigas, pele, virilhas, axilas, umbigos como conchas, orelhas e seu tenro trincar, suor, óleos do corpo, trepidações de bicharada. E a confusão dos corpos, quando se devoram presos pelos sexos e as bocas. E as mãos, que agarram e as pernas, que enlaçam.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Pacheco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-3949373899932615690?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/3949373899932615690/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=3949373899932615690' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3949373899932615690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/3949373899932615690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/comunidade-1964-extracto.html' title='Comunidade 1964 (extracto)'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-7227686211489991522</id><published>2009-05-14T12:52:00.011+01:00</published><updated>2009-05-19T15:30:12.601+01:00</updated><title type='text'>(sem título)</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335647150796736610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 203px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/SgwG0G4QiGI/AAAAAAAAACM/HzFgW6CVbqs/s320/camelo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;Quando a chuva cai sente-se ansioso, preguiçoso de sentir o frio na ponta íntima do órgão reprodutor. O peso do testículo mole entorta-lhe a coluna que segue o caminho pecaminoso do corno acorrentado à dureza do rabo. Apanhado no cerco de uma tortura febril quer foder para cair no esquecimento dos outros. Irritado. Fastigado. Ergue-se nu afogado em garrafas de plástico vazias (húmidas e opacas). Os gargalos nauseabundos querem, à priori, ser tocados e cheirados por lábios suados. Ao acordar, o mau hálito atiça-lhe os intestinos que anseiam a libertação máxima do ânus. Queima a roupa suja na rua e arruma caixotes de pêras no armário da casa de banho para quando lhe apetecer comer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ilustração por Gordo&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-7227686211489991522?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/7227686211489991522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=7227686211489991522' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7227686211489991522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/7227686211489991522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/camelo.html' title='(sem título)'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1I1hutMtyi8/SgwG0G4QiGI/AAAAAAAAACM/HzFgW6CVbqs/s72-c/camelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8481972020588895742</id><published>2009-05-13T16:08:00.001+01:00</published><updated>2009-05-13T16:11:26.117+01:00</updated><title type='text'>Fajula</title><content type='html'>Sentada num galho de uma kigela,&lt;br /&gt;a ovelha Fajula tem as pernas aborrecidas&lt;br /&gt;e a nuca dormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À horas que o mocho lhe está a catar os piolhos&lt;br /&gt;da cabeleira ruiva, emitindo guinchos&lt;br /&gt;semelhantes aos de uma capivara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farta daquela monotonia,&lt;br /&gt;Fajula dá um soco seco&lt;br /&gt;na pança pregueada do mocho&lt;br /&gt;e pula do galho para o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decide ir refrescar-se ao rio.&lt;br /&gt;Segue caminho pela selva densa&lt;br /&gt;e transpirada acompanhada&lt;br /&gt;por um carrinho de mão que achou&lt;br /&gt;há dias perto de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O andar vaidoso segue o ritmo&lt;br /&gt;do chiar da roda ferrugenta,&lt;br /&gt;incentivando-a a começar uma dança erótica.&lt;br /&gt;Esfrega as costas pausadamente&lt;br /&gt;na pele eriçada de uma bananeira&lt;br /&gt;e entrelaça os braços no melaço&lt;br /&gt;dos frutos da árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No clímax do momento,&lt;br /&gt;os pés já doridos obrigam-na a parar por instantes.&lt;br /&gt;Depois de pousar o carrinho,&lt;br /&gt;pega no leque de Vaz que traz ao pescoço&lt;br /&gt;e traça um risco na terra húmida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8481972020588895742?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8481972020588895742/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8481972020588895742' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8481972020588895742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8481972020588895742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/fajula.html' title='Fajula'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8277548280343300770.post-8418254421199958707</id><published>2009-05-13T15:28:00.005+01:00</published><updated>2009-05-19T14:46:33.530+01:00</updated><title type='text'>Garagem</title><content type='html'>(&lt;em&gt;Outra noite na garagem&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário - Caralho...&lt;br /&gt;Gordo - Nãaaoooo!&lt;br /&gt;David - Dá-lhe Ana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;risos&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana - Eu não gosto de bater.&lt;br /&gt;Gordo - Isso não é bater! "Nepia eu não gosto de bater..."&lt;br /&gt;Ana - OHHHHH!&lt;br /&gt;Mário - Não gostas?!&lt;br /&gt;Gordo - Pá Ana vai pó caralho. Acabou-se.&lt;br /&gt;Mário - Vá lá Gordo mete lá ai isso [computador] a tocar.&lt;br /&gt;Ana - Tá a pensaaaar...&lt;br /&gt;Gordo - Bueda estranho. Tenho rato mas está a bloquear.&lt;br /&gt;Mário - Está a pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(s&lt;em&gt;ilêncio&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário - Tens isso bueda lento.&lt;br /&gt;Gordo - Para a próxima trazes tu o teu!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(r&lt;em&gt;isos&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gordo - Ya, recebi agora a carta para a entrega dos diplomas do IADE. FUCK YA!!!&lt;br /&gt;Ana - Cerimónia de entrega de diplomas?!&lt;br /&gt;Gordo - FUCK YA!&lt;br /&gt;Ana - Eu não tive nada disso.&lt;br /&gt;Mário - Cada faculdade tem a sua. Atãaaao...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(SKILLA MS Mixtape)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gordo - Estes beats são malaicos, nigga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(...o people dá em insane, LSD, black bombain, ácidos e cocaine...)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;2ª Gravação/Garagem/12 de Maio 2009&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8277548280343300770-8418254421199958707?l=maiscadeseucoco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/feeds/8418254421199958707/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8277548280343300770&amp;postID=8418254421199958707' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8418254421199958707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8277548280343300770/posts/default/8418254421199958707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maiscadeseucoco.blogspot.com/2009/05/garagem.html' title='Garagem'/><author><name>Ana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07517311334645666695</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
